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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A DEMOCRACIA CRONICAMENTE INVIÁVEL

Um leitor deste blog me indicou um vídeo que está bombando na internet. Ao assisti-lo me deparei com o registro de uma discussão ocorrida em uma calçada do Leblon, no Rio de janeiro, entre manifestantes e moradores do bairro. 

São imagens importantes por demonstrarem percepções livres e espontâneas do cotidiano daqueles cidadãos fazendo com que possamos entender um pouco mais da sociedade brasileira, especialmente, a classe média e suas contradições.

É uma mistura de senso comum, preconceito, discriminação, alienação, hipocrisia, consciência cidadã, preocupação social, democracia, reacionários e progressistas.

O que se apresenta indignado desde o início é um tiozão afirmando ser morador do bairro e que a manifestação é de direita, realizada por fascistas. Ele defende melhorias no país realizadas pelo governo federal. Além disso, questiona um dos manifestantes fantasiado de Batman, querendo saber do que ele era herói vestido com a roupa de um dos símbolos do capitalismo americano. INTERESSANTE! Pouco depois, o mesmo tiozão faz questão de afirmar que ganha muito bem e segue inconformado protestando contra o protesto. INCRÍVEL!

O Batman, por sua vez, discorda de que seja tal símbolo e reivindica o direito de estar ali lutando por um país melhor e defendendo a democracia. MACACOS ME MORDAM!

Com a discussão, pessoas vão se aglomerando para saber o motivo da discórdia e passam a participar dela. Uma tiazinha afirma ao Batman que o carnaval ainda está longe, outra que parece ter seus poucos neurônios com lesões irreversíveis de tanto ler a Veja e todos os membros do P.I.G. e portando uma câmera fotográfica, discorda do tiozão afirmando que os manifestantes não são de direita e que ela é. Em seguida, ela afirma que nunca agiria como eles e que aquilo faz parte da tentativa de uma ocupação comunista e totalitarista no país. ANTES FOSSE!

Junto de toda a bagunça, há um repórter francês e um câmera registrando tudo e muito interessado nos rolezinhos mas mantendo o estilo europeu tentando entender a convivência no zoológico.

Enfim, é um registro que aponta para duas alternativas: a de que somos um país cronicamente inviável ou a de que temos uma democracia muito jovem. Pensando bem, sociologicamente, as duas percepções são válidas e estão interligadas.

Confira!


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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

VÍDEO: ODE À CLASSE MÉDIA

Uma singela homenagem à conservadora classe mé(r)dia brasileira na voz de Max Gonzaga:

Classe Média (Max Gonzaga)

Sou classe média
Papagaio de todo telejornal
Eu acredito
Na imparcialidade da revista semanal
Sou classe média
Compro roupa e gasolina no cartão
Odeio “coletivos”
E vou de carro que comprei a prestação
Só pago impostos
Estou sempre no limite do meu cheque especial
Eu viajo pouco, no máximo um pacote cvc tri-anual
Mais eu “to nem ai”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “to nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Mas fico indignado com estado quando sou incomodado
Pelo pedinte esfomeado que me estende a mão
O pára-brisa ensaboado
É camelo, biju com bala
E as peripécias do artista malabarista do farol
Mas se o assalto é em moema
O assassinato é no “jardins”
A filha do executivo é estuprada até o fim
Ai a mídia manifesta a sua opinião regressa
De implantar pena de morte, ou reduzir a idade penal
E eu que sou bem informado concordo e faço passeata
Enquanto aumenta a audiência e a tiragem do jornal
Porque eu não “to nem ai”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “to nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Toda tragédia só me importa quando bate em minha porta
Porque é mais fácil condenar quem já cumpre pena de vida


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