
O carnaval acabou mas o tratamento desigual dado à cultura nacional continua. Desta vez o privilégio ocorreu com a excelente cantora e artista Maria Bethânia que conseguiu autorização do Ministério da Cultura (aquele dirigido pela ministra Ana da Holanda) para a captação de recursos destinados à criação de um blog. Amparada pela Lei Rouanet, a artista poderá buscar patrocínio de até R$ 1,3 milhão para financiar o projeto “O Mundo Precisa de Poesia” (e bota poesia nisso!). Em troca, as empresas ou pessoas físicas que patrocinam os projetos conseguem vantagem financeira com o desconto no imposto de renda (é a privatização da cultura nacional!).
Além das mudanças necessárias na citada lei, através do Procultura (Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura) que foi aprovado pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara no final de 2010 e aguarda votação no plenário, é preciso alardear o absoluto desequilíbrio na distribuição de recursos entre cidadãos/artistas brasileiros.
Enquanto milhares de blogueiros tão artistas quanto Bethânia sobrevivem sem patrocínio ou incentivo da lei, os membros da monarquia cultural tupiniquim encontram mais de um milhão de possibilidades de terem seus projetos aprovados e essa perpectiva não é de hoje.
Antes de focar críticas à ministra Ana "da" Holanda, vale lembrar que não é a primeira vez que o MINC promove tal absurdo. A gestão anterior (Gil/Juca Ferreira) aprovou R$ 10 milhões para o Instituto FHC (sim, prezado(a) leitor(a), para o Instituto daquele "sociólogo"!) digitalizar arquivos. O que nunca foi feito.
Além disso, aprovou R$ 3 milhões para a Globo (sim, prezado(a) leitor(a), aquela tv que dentre outras coisas apoiou o golpe militar) fazer um site sobre, exatamente, a ditadura.
Diante de tais situações, é necessário que os blogueiros progressitas se engajem na luta pela democratização, não apenas dos meios de comunicação, mas também da cultura brasileira.
Uni-vos!
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