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sábado, 22 de dezembro de 2012

PARA ESPECIALISTA, DECISÃO DO STF SOBRE MENSALÃO É 'DE RASGAR CONSTITUIÇÃO'


Dos Advogados para a Democracia

“Cada poder tem seu lugar, STF não pode legislar”. A rima é de integrantes da União da Juventude Socialista (UJS), que esteve presente no debate “O Estado de Direito, a Mídia e o Judiciário: Em pauta a Ação Penal 470”, que ocorreu ontem (17) no Sindicato dos Engenheiros de São Paulo e reuniu jornalistas e especialistas da área jurídica. Para eles, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de cassar os mandatos dos deputados condenados no julgamento da Ação Penal 470, o mensalão, representa uma “afronta à Constituição”.

Os juristas Pedro Serrano e Carlos Langroiva, especialistas nas áreas de Direito constitucional e Direito penal, respectivamente, contribuíram para a discussão sob a ótica jurídica do julgamento. Para Serrano, todas as sessões do Supremo em torno do tema representaram uma sequência de erros. “Foi uma catástrofe. Houve erros de fundamentação, já que a doutrina do domínio do fato foi usada erroneamente, e erros de coerência. A jurisprudência tem seu lugar. Juízes não foram coerentes ao decidir pela cassação dos mandatos dos deputados.”

Para ele, a decisão do Supremo é um desrespeito aos cidadãos. “A decisão feita hoje é de rasgar a Constituição. Cabe à Câmara ou ao Senado cassar o mandato dos deputados. O que foi feito no tribunal hoje é uma irresponsabilidade. É um desrespeito à cidadania, e ainda com o apoio massivo da mídia. É um desrespeito à Constituição Federal.”

A transmissão ao vivo das sessões do STF pela televisão configura uma grande falha na área do Direito Penal, argumenta Langroiva. “Virou sessão da tarde, as pessoas ligam a TV de tarde, como antes faziam para ver novela, filmes, e assistem à sessão do STF. A divulgação como se deu do mensalão não deve acontecer na área penal, a vida das pessoas não pode ser devastada neste sentido.” De acordo com ele, o STF trabalhou com elementos que não são naturais no Direito. “O princípio básico da imparcialidade na análise dos fatos foi ferido quando a análise começou pela acusação.”

Além disso, o princípio da presunção da inocência não foi respeitado, segundo Langroiva. “Quem acusa, no processo penal, é quem deve provar suas acusações, e não a defesa que deve provar sua inocência. E não foi o que aconteceu no julgamento da Ação Penal 470. Houve presunção de culpa, coube à defesa provar o que era ou não verdadeiro.” Para ele, a flexibilização da apresentação de provas retrata um verdadeiro escândalo na área criminal. “O Direito Penal lida com nosso bem máximo, a liberdade”.

Para o jornalista Raimundo Pereira, diretor editorial da revista Retrato do Brasil e co-autor do livro A outra tese do mensalão, o julgamento deveria ser anulado. Segundo ele, a tese central sustentada pela Procuradoria Geral da República, que é o desvio de dinheiro do Banco do Brasil, não foi provada. “A materialidade do crime não foi provada. Na Idade Média era assim, pegava-se a bruxa, e depois de um tempo ela confessava um crime, mesmo que não existisse, não era necessário que se provasse sua materialidade.”

O jornalista Paulo Moreira Leite, colunista da revista Época, afirmou que o caso não é apenas jurídico, mas sim político, e fez uma analogia com o golpe de 1964 no Brasil. “Vivemos hoje algo parecido, porque com o governo federal de Lula e Dilma, houve melhorias em vários níveis, com melhor distribuição de renda. Para muitos isso é insuportável. A brecha que se encontra então é a criminalização, todo dia nos jornais há uma espécie de delação premiada. É uma tentativa de retrocesso.” 

Sobre a cassação dos mandatos dos deputados, Moreira Leite caracterizou a decisão do STF como um erro que será demorado de corrigir. “Essa 'porrada' é grande. Não sei o que o Congresso Nacional fará, nem os movimentos populares. Mas os erros são demorados para serem corrigidos. Na política, o erro se reproduz e se sedimenta.”

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segunda-feira, 5 de março de 2012

PINHEIRINHO: PUNIÇÃO AOS CULPADOS

Estive no último sábado, mais uma vez, junto com companheiros(as) voluntários(as) em São José do Campos no ato que lembrou os oito anos do nascimento do bairro Pinheirinho. O evento começou no período da tarde e invadiu a noite com apresentação de vídeos e reportagens sobre o massacre ocorrido, shows de rap e  forró, pipoca, algodão doce e brinquedos para as centenas de crianças que estavam presentes.


No palco, além de muita música foi possível ouvir as manifestações da vereadora Amélia Naomi (PT) , do Senador Eduardo Suplicy (PT) e de Toninho (advogado dos ex-moradores do Pinheirinho). Todos enfatizaram a simbologia daquele evento. 
Mais do que relembrar a data de surgimento do bairro, é necessário não deixar cair no esquecimento as violações aos direitos humanos que ocorreram por parte da polícia militar no cumprimento da ordem judicial ilegal de reintegração de posse. Ficou claro também o recado dado aos criminosos oficiais (do Estado) e aos criminosos paralelos (do tráfico). Não adianta intimidar porque não recuaremos!
O estado das famílias segue delicado. A maioria deixou os abrigos e estão amontoadas em casas alugadas, em barracos ou pelas ruas da cidade. Ainda existem poucas famílias no abrigo chamado Morumbi. Os outros abrigos foram totalmente esvaziados. 
O morador Ivo Teles dos Santos, de 69 anos, continua internado mas o seu estado de saúde teve uma leve melhora. Ele deixou a UTI mas continua internado no Hospital Municipal de Sâo José dos Campos. Os seus familiares continuam sem ter acesso ao seu Boletim de Atendimento Médico de Emergência sendo que ele está naquele hospital há mais de um mês.

Na semana que se inicia haverá um encontro em São José dos Campos com representantes do governo federal e do Pinheirinho para que se encontre uma solução definitiva. As famílias reivindicam o retorno ao bairro invadido e devastado. Exigem que o princípio da dignidade humana que é o alicerce da ConstituiçãoFederal (lei maior deste país!) prevaleça.
Os cidadãos conscientes da importância do exercício da cidadania lutarão em defesa dos ignorados pela sociedade apodrecida. A resistência contra os opressores não cessará. Os responsáveis pelo massacre devem ser punidos!

Precisamos reunir esforços para alcançarmos o mínimo de 50.000 assinaturas para levar o caso à Corte Internamericana de Direitos Humanos e pedir punição aos envolvidos como Rodrigo Capez ("juiz" presente na "desocupação"), Ivan Sartori ("presidente" do Tribunal de Justiça de São  Paulo), Marcia Loureiro ("juíza "que autorizou a ilegalidade), Messias (coronel e comandante da tropa), Eduardo Cury ("prefeito" de São José dos Campos) e Geraldo Alckimin ("governador") ambos do PSDB.

Assine e divulgue!

 
SOMOS TODOS PINHEIRINHO!

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