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quarta-feira, 23 de maio de 2012

MP DE SÃO PAULO DETERMINA NOVAS DILIGÊNCIAS NO CASO EXTRA

 

S. Paulo - O Ministério Público de S. Paulo determinou a realização de novas diligências no caso dos três menores negros agredidos e humilhados por seguranças do Hipermercado Extra, do Grupo Pão de Açúcar, da Marginal do Tietê na Penha.

A promotora Vânia Maria Tuglio, que acompanha o caso, devolveu o Inquérito ao delegado Marcos Aníbal Arbues Andrade, do 10º DP da Penha e determinou que a Polícia Civil ouvisse novamente os três para que fizessem o reconhecimento, por fotos, das dependências da loja para onde foram levados, sob a acusação de que teriam furtado mercadorias que haviam sido pagas.

Os menores T., hoje com 11 anos, W. e M., respectivamente com 13 e 14 anos, foram obrigados a tirar a roupa sob a ameaça de chicotes e xingados de “negrinhos fedidos”. Além das ameaças e xingamentos, W. e M disseram à Polícia que também foram agredidos com tapas no peito e nas áreas genitais.

O caso aconteceu em janeiro de 2011, e a família de T. já foi indenizada pelo Pão de Açúcar. O Grupo, porém, se recusa a extender o valor da indenização de R$ 260 mil às famílias dos dois outros menores e, segundo o advogado Alexandre Mariano, constituído pela família de ambos, vem tentando abafar a investigação.

Reconhecimento

No ato de reconhecimento ocorrido na semana passada, W. e M. reconheceram a sala em que foram agredidos. T, contudo, não compareceu. Segundo Mariano, o pai do menor, Diógenes Pereira da Silva (foto), mudou de postura após ser indenizado, passou a ter comportamento arredio e não vem atendendo às convocações para depor.

O advogado disse que pedirá uma reunião com a representante do Ministério Público para relatar as dificuldades que tem sido criadas pelo Grupo Pão de Açúcar para apurar o caso de agressão que teve repercussão nacional e internacional a partir da denúncia feita pela Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP e do noticiário da mídia e dos telejornais das principais redes de TV.

Operação Abafa

Segundo o Mariano, o Grupo tem atuado para que a investigação não seja conclusiva quanto a responsabilidade de dois dos seguranças acusados e já reconhecidos pelos menores. Embora tenham sido reconhecidos, Márcio Ojeda e Jefferson Alves Domingos não foram indiciados pelo delegado. Este último, inclusive, de acordo com o advogado, continua trabalhando normalmente na loja.

O advogado disse que manifestará ao MP sua estranheza pelo fato de os acusados – mesmo reconhecidos – não terem sido formalmente indiciados no Inquérito.

“A situação é ainda mais grave porque o Grupo Pão de Açúcar vem se utilizando disso para não reconhecer sua responsabilidade pela agressão aos dois outros menores, enquanto – indiretamente – assumiu, no caso de um deles, ao indenizá-lo”, afirmou.
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quarta-feira, 25 de abril de 2012

MÚSICA DO DIA



 
Haiti
Caetano Veloso

Quando você for convidado pra subir no adro
Da fundação casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
E não importa se os olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária
Em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada:
Nem o traço do sobrado
Nem a lente do fantástico,
Nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão
Se você for a festa do pelô, e se você não for
Pense no Haiti, reze pelo Haiti

O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui

E na TV se você vir um deputado em pânico mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer, qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
Do ensino do primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco
Brilhante de lixo do Leblon
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina
111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
Pense no Haiti, reze pelo Haiti

O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui

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