quinta-feira, 16 de junho de 2011

A PEDAGOGIA DA TRAVESSIA





De Rubem Alves

Os alunos, ao observarem o professor, perceberão que a aprendizagem não está na partida nem na chegada.

A menina que me conduzia pela Escola da Ponte na minha primeira visita me disse que na sua escola não havia professores dando aulas. Espantei-me. Nunca me havia passado pela cabeça que houvesse escolas em que professores não davam aulas. Pois as aulas não são o centro mesmo da atividade escolar? As aulas não são o método que as escolas usam para transmitir saberes? E os professores não são os portadores desses saberes? Todo mundo sabe que a missão de um professor é "dar a matéria"... As escolas existem para que as aulas aconteçam... E agora essa menininha me diz que, na sua escola, não havia professores dando aulas e ensinando saberes...

E mais: naquela escola, as crianças não ficavam separadas em espaços diferenciados, de acordo com seu adiantamento: os miúdos ficavam misturados aos graúdos... Mas a separação dos alunos segundo os seus saberes não seria uma exigência da ordem e da eficácia?
Disse ainda que não havia nem provas nem notas. Mas a avaliação... Como se pode avaliar o que foi aprendido se não há provas? Provas são instrumentos de avaliação!

E também não havia as divisões no tempo do pensamento. Nas escolas normais, o pensamento é como na televisão: há intervalos regulares, muda-se o programa. Uma campainha toca: 45 minutos, todos pensam matemática. Transcorridos 45 minutos a campainha toca de novo, os pensamentos da matemática são guardados e, no seu lugar, são colocados os pensamentos de história, até que a campainha toque de novo e os pensamentos de história sejam substituídos pelos pensamentos da biologia. Tudo em ordem perfeita, como soldados em parada, todos caminham juntos aprendendo as mesmas coisas no mesmo tempo, numa imitação das linhas de montagem. Que extraordinárias "máquinas de pensar" são os alunos, que mudam os pensamentos automaticamente ao comando de uma campainha!

Perguntei, então, à menina: "E como é que vocês aprendem?". Ela não titubeou: "Formamos grupos de seis alunos em torno de um tema de interesse comum..."
Percebi que, naquela escola, não havia nada que se assemelhasse às "grades curriculares". Grades... Somente um carcereiro desempregado poderia ter ideia tal. Grades. Não há opções, não há escolhas: um desconhecido colocou os saberes obrigatórios dentro de uma grade; conhecimentos "engradados"...

Mas a menina me havia dito que tudo se iniciava com o desejo de aprender algo, curiosidade, que nem precisava estar em qualquer grade obrigatória. Esse desejo era a alma da aprendizagem, a provocação da inteligência. Continuou:
"Convidamos um professor para ser nosso orientador..."

Pode até acontecer que o professor nada saiba sobre esse "tema de interesse comum". Não importa. Os professores não sabem tudo. Não sabendo, pesquisam. E os alunos, ao ver o professor explorando os caminhos que o levam àquilo que ele não sabe, perceberão que o aprender não está nem na partida nem na chegada, mas na travessia, como disse o educador Riobaldo. E fiquei a pensar em como seria essa coisa a que se poderia dar o nome de "pedagogia da travessia"...

*Rubem Alves é psicanalista, educador, teólogo e escritor brasileiro.

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terça-feira, 14 de junho de 2011

LEI DA INTERNET É PRIORIDADE PARA O GOVERNO




Da Carta Maior

Debatido há vinte meses, marco civil da internet é prioridade do ministério da Justiça e, com o fim do caso Palocci, deve ir ao Congresso em até dois meses. Segundo Secretário de Assuntos Legislativos, projeto tratará de direitos do cidadão e deveres dos provedores e não entrará em questões como comércio eletrônico e direitos autorais. Tendência é que crimes virtuais também sejam excluídos, mas assunto ainda será decidido pelo ministério.

BRASÍLIA – A criação de uma Lei da Internet é uma das prioridades do ministério da Justiça, disse nesta quarta-feira (08/06) o secretário de Assuntos Legislativos da pasta, Marivaldo de Castro Pereira. Segundo ele, o governo deve mandar ao Congresso uma proposta de “marco civil da Internet” em um ou dois meses. A tendência é que o projeto não entre na polêmica dos crimes virtuais, mas o ministério ainda vai bater o martelo sobre isso.

“A internet é hoje uma ferramenta que possibilita inúmeras formas de uso, e conflitos surgem com essa multiplicação de uso”, afirmou Castro Pereira, em audiência pública realizada pela Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado. “É importante também para que os juízes passem a falar a mesma língua quando julgarem casos envolvendo a internet”, completou.

De acordo com ele, o projeto aborda três dimensões diferentes da internet: direitos do cidadão, deveres dos provedores (acesso e conteúdo) e função do Estado. A atual minuta de texto propõe, por exemplo, que quebra de sigilo de internauta depende de autorização da Justiça, que é proibido monitorar dados do usuário e suspender o acesso dele por motivo diferente de “falta de pagamento” e que pode haver ação coletiva contra provedores.

A minuta, que em duas consultas públicas feitas pelo governo na própria internet recebeu mais de 2 mil comentários e sugestões, deixa de fora temas como comércio eletrônico, spam, direitos autorais e crimes virtuais. Segundo Castro Pereira, excluir o tema “cybercrimes” ajudaria a não “contaminar" a aprovação do marco civil.

O Congresso já discutiu a idéia de tipificar crimes virtuais, há dois anos, a partir de um projeto do ex-senador e hoje deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG), batizado de “AI-5 digital”. Naquela ocasião, ficou claro como o assunto gera controvérsias, daí que o governo pensa, segundo Castro Pereira, ser melhor separar os assuntos e discuti-los em momentos diferentes.

Mas, segundo o próprio secretário, a questão ainda será definida no ministério da Justiça, pois lá também há quem defenda ser melhor tratar de regulamentação e crimes de uma vez só. Quando houver uma decisão, o projeto será enviado à Casa Civil da Presidência, para que a presidenta Dilma Rousseff assine-o e despache-o ao Congresso.

Segundo Carta Maior apurou, o ministério da Justiça acredita que o projeto pode ir logo ao Legislativo agora que se consumou a saída de Antonio Palocci da chefia da Casa Civil. A presença de Palocci num cargo-chave no Palácio do Planalto, sob suspeita de enriquecimento ilícito, tinha paralisado uma série de decisões e discussões do governo.

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segunda-feira, 13 de junho de 2011

II Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas




A programação oficial do II Encontro Nacional dos Progressistas (BlogProg), construída de forma coletiva e democrática, tem como eixo principal a luta pela democratização dos meios de comunicação, por um novo marco regulatório para o setor e pela implantação e aperfeiçoamento do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). Além disso, ela contempla, em várias oficinas, inúmeros temas de interesse da blogosfera. A programação ainda poderá sofrer alguns ajustes. Um deles é a inclusão de uma palestra do ex-presidente Lula, que já confirmou a presença no encontro, mas ainda não formalizou sua participação.

Data: 17, 18 e 19 de junho.

Local: Centro de Convenção da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC)

SGAS. Avenida W-5, Quadra 902, Bloco C – Telefone: (61) 3214-8000

Dia 17 de junho, sexta-feira

17 horas – Início do credenciamento.

19 horas – Palestra do ministro Paulo Bernardo sobre os desafios da comunicação no governo Dilma Rousseff;

21 horas – Festa de confraternização.

Dia 18 de junho, sábado

9 horas – A luta por um novo marco regulatório da comunicação.

- Deputada Luiza Erundina – coordenadora da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão;

- Jurista Fábio Konder Comparato – autor da Ação de Omissão (ADO) do Congresso Nacional na regulamentação da comunicação;

- Professor Venício Lima – autor do livro recém-lançado “Regulação das comunicações”.

14 horas – Oficinas autogestionadas e simultâneas.

1- Os partidos e a luta pela democratização da comunicação.

- José Dirceu (PT), João Arruda (PMDB), Brizola Neto (PDT), Renato Rabelo (PCdoB), Randolfe Rodrigues (PSOL) – mediação: José Augusto Valente;

2- O sindicalismo na era da internet.

- Artur Henrique (CUT), Luis Carlos Mota (FS), Nivaldo Santana (CTB), Ricardo Patah (UGT), Ubiraci Dantas (CGTB) e Toninho (Diap) – mediação: Rita Casaro;

3- A política da internet, tecnologias e a neutralidade na rede.

- Sérgio Amadeu, Marcelo Branco, Ricardo Poppi, José Carlos Caribé, Tatiane Pires – mediação: Diego Casaes;

4- “Arte, humor, militância e compromisso: agora por nós mesmos. Compartilhando experiências”.

- Mediação: Sérgio Teles e Paula Marcondes;

5- Reforma agrária e as perspectivas na comunicação.

- Gilmar Mauro, Rodrigo Vianna, Letícia Silva, Sergio Sauer – mediação: Igor Felippe;

6- Mulheres na blogosfera.

- Luka da Rosa, Amanda Vieira, Mayara Melo – mediação: Niara de Oliveira;

7- Perseguição e censura contra a blogosfera.

- Paulo Henrique Amorim, Esmael Morais e Lino Bocchini – mediação: Altamiro Borges.

8- A militância digital e as redes sociais

- Eduardo Guimarães, Luis Carlos Azenha, Conceição Oliveira (Maria Frô) – mediação: Conceição Lemes.

9- Lan Houses e a internet na periferia.

- Mediação: Mario Brandão.

10- A economia da outra comunicação: os caminhos e desafios da sustentabilidade da blogosfera

- Ladislau Dawbor, Marcio Pochmann, Clayton Mello – mediação: Renato Rovai.

• Oficina sobre ferramentas do blog – mesa: Marcos Lemos;

Dia 19 de junho, domingo

9 horas – reuniões em grupo: troca de experiência, balanço e desafios da blogosfera progressista;

14 horas – Plenária final: aprovação da carta dos blogueiros e constituição da nova comissão nacional organizadora.

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sexta-feira, 10 de junho de 2011

ONU DECLARA ACESSO À INTERNET COMO DIREITO HUMANO





Do Portal Aprendiz

A Organização das Nações Unidas (ONU) publicou, na última semana, um novo relatório sobre promoção e proteção do direito à liberdade de opinião e expressão. No documento, a instituição ressalta que desconectar as pessoas da Internet é um crime e uma violação dos direitos humanos.

Impedir o acesso à informação pela web infringe, segundo a ONU, o Artigo 19, parágrafo 3, do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, de 1966. De acordo com o Artigo, todo cidadão possui direito à liberdade de expressão e de acesso à informação por qualquer tipo de veículo.

O parágrafo 3 até considera a hipótese de aqueles que tiverem transgredido algum tipo de lei, envolvendo meios de comunicação, possam sofrer restrições específicas. No entanto, não totais e apenas se as transgressões colocarem em risco os direitos e reputações de outras pessoas ou a segurança nacional.

A produção do relatório, feita pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU e o site Mashable, foi motivada por novas leis aprovadas na França e na Inglaterra que excluem da Internet pessoas consideradas como infratoras de direitos autorais.

O documento também explica que outros países já bloqueiam conteúdos específicos na rede para seus cidadãos. Em alguns casos, os denominados infratores foram excluídos totalmente do acesso à Internet. Mas, para a ONU, não importa qual o crime cometido – violação de direitos autorais ou intelectuais –, todo ser humano ainda deve ter o direito de continuar com acesso à informação e à Internet.

Por meio do relatório, a ONU pede aos países que revejam suas leis contra pessoas que tiverem cometidos violações de direitos autorais ou intelectuais e as punições adotadas, para que elas não contrariem as diretrizes divulgadas no documento da organização.

Estado e Internet

Uma empresa de monitoramento da Internet identificou, na última semana, que dois terços do acesso à rede na Síria está bloqueado, segundo o site da revista Wired.

O relatório da ONU destaca que nenhum Estado pode interromper o acesso à Internet, nem mesmo em situações de crises políticas, sejam internas ou externas. A web tem sido utilizada para a livre expressão da sociedade a favor ou contra determinados assuntos.

Um fato de grande manifestação popular via web que ganhou repercussão mundial ocorreu em 2009, durante as eleições no Irã, quando o presidente Mahmud Ahmadinejad foi considerado reeleito. No período, os meios de notícias foram proibidos de trabalhar no país. Então, as denúncias de repressão aos eleitores favoráveis ao opositor Mir Hussein Mousavi e de fraude nas eleições passaram a surgir na Internet.

*Com informações do blog Oceanogeek e da Unesco


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terça-feira, 7 de junho de 2011

VÍDEO REPUGNANTE: O PRECONCEITO DO TUCANO ALVARO DIAS



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ERA MAIS UMA VEZ PALOCCI




Há pouco, o Ministro da Casa Civil do governo Dilma, Antonio Palocci pediu demissão do cargo. Depois de algumas semanas tentando explicar o inexplicável exposto pelo PIG, um dos símbolos da triste mudança de rumo de parte do Partido dos Trabalhadores presta um serviço à nação. Gleisi Hoffmann deve ser a substituta. A partir de agora, o governo tem a oportunidade de se reordenar politicamente corrigindo erros que em apenas seis meses já existem.

Personagem importante da articulação do atual governo, o ex-ministro mais uma vez (como ocorrera no governo Lula) confundiu a esfera pública com a esfera privada tendo a mesma prática promíscua dos velhos donos desta república, incluindo a monarquia midiática tupiniquim.

Não contente com todo o fisiologismo praticado, se propôs a se defender através do mesmo PIG concedendo uma entrevista exclusiva para a globo. Para um político como Palocci, nada mais natural.

De toda essa novela, o que fica mais uma vez claro é que a oposição quer chegar em Dilma assim como tentaram fazer com Lula (via José Dirceu) e a presidenta terá de mostrar habilidade neste combate um tanto desigual porque contra ela estará, mais uma vez, o efetivo poder; a Mídia.

Abaixo, a íntegra da nota divulgada pela Casa Civil:

"O ministro Antonio Palocci entregou, nesta tarde, carta à presidenta Dilma Rousseff solicitando o seu afastamento do governo.

O ministro considera que a robusta manifestação do Procurador Geral da República confirma a legalidade e a retidão de suas atividades profissionais no período recente, bem como a inexistência de qualquer fundamento, ainda que mínimo, nas alegações apresentadas sobre sua conduta.

Considera, entretanto, que a continuidade do embate político poderia prejudicar suas atribuições no governo. Diante disso, preferiu solicitar seu afastamento."

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segunda-feira, 6 de junho de 2011

A TRISTE REALIDADE DA POLÍTICA PARTIDÁRIA




Desde sempre coloquei em dúvida a eficácia e seriedade dos partidos políticos diante do nosso Estado Democrático de Direito. E quanto mais o tempo passa, mais me certifico de que a política partidária não passa de apenas um meio encontrado, por aqueles que a praticam, de conquista de interesses pessoais através da manutenção do status quo.

Trata-se de uma situação esperada, uma vez que temos o Estado sob a égide do capitalismo que, por sua vez, tem em sua essência a promíscua relação de troca de interesses e corrupção. Por mais digno que possa ser um partido no momento da sua fundação. Por mais valoroso que possam ser seus fundadores, no Estado que temos, é questão de tempo para ele se tornar mais uma referência dessa promiscuidade.

Diante deste sórdido cenário, cabe aos que lutam efetivamente por um país melhor a desfiliação desses grupos. Fato que temos assistido com frequência e hoje se repete.

O Partido Socialista Brasileiro (onde ainda resistem pouquíssimos representantes que merecem respeito como a deputada Luiza Erundina), hoje conduzido pelo coronel e pretenso futuro presidente da república Eduardo Campos perdeu um dos seus mais importantes nomes, o jurista Sérgio Sérvulo da Cunha.

Desiludido com os rumos do PSB (do qual era filiado desde a a sua fundação em 1986) que se tornou mais um agrupamento político sem identidade, Sérgio e o ex-vereador Celio Nori publicaram hoje uma carta aberta ao público comunicando decisão de desfiliação.

Sérgio é advogado e filósofo, foi vice-prefeito pelo PSB no governo Telma de Souza do PT, na Prefeitura de Santos (SP); foi presidente da OAB/Santos; foi procurador do Estado; foi chefe de gabinete do Ministério da Justiça ocupado pelo seu colega de faculdade, Marcio Tomás Bastos no governo Lula; foi um dos advogados de acusação no processo de impeachement do ex-Presidente Fernando Collor, em que atuou junto aos ministros Evandro Lins e Silva e Fabio Konder Comparato. É autor de diversos livros sobre Direito Constitucional e Direito Eleitoral mas, algumas das suas principais características são a simplicidade e a capacidade de ser um companheiro de primeira hora em lutas por um país digno.

Sérgio esteve presente no I Encontro Estadual de Blogueiros Progressistas de São Paulo, convidado por este sujo blogueiro (e membro da comissão organizadora). Sem alarde, fez questão de estar presente na abertura do evento (única data que lhe era possível devido a sua recheada agenda).

Deixo registrado nesse humilde espaço o meu, incondicional, apoio a mais essa lúcida manifestação do cidadão Sérgio. Perde o partido (se é que há como chamar assim o PSB) mas ganha a atuação política livre e transparente.


CARTA ABERTA À POPULAÇÃO


Deslifiliando-nos, neste momento, do Partido Socialista Brasileiro, queremos ratificar, publicamente, nosso compromisso com o socialismo democrático. Foi por causa desse compromisso que nos filiamos ao PSB, há muitos anos, é por causa dele que agora nos desfiliamos.

Partidos políticos são canais da representação popular, locais de encontro nos quais, mediante o confronto de ideias, se assentam propostas de políticas públicas, programas consensuais de governo e ações para a conquista e exercício do poder político.

Sempre entendemos que a condição de filiado a um partido político representa clara opção política e compromisso com determinada visão de mundo. Por tais razões, escolhemos o Partido Socialista Brasileiro para nos filiar na década de 80 e nos integrar a outros companheiros que comungavam solidariamente o ideário do Socialismo Democrático.

Após a vitória sobre a ditadura militar, a promulgação da Constituição de 1988 e a conquista do Estado de Direito, reuníamos a expectativa de que, finalmente, os partidos brasileiros passariam , de fato, a representar forças políticas distintas, capazes de dar sustentabilidade à democracia brasileira, recém emergida dos escombros de um dos mais terríveis períodos da história do país.

Ledo engano. À medida em que o tempo avançava e os governos se sucediam, mais e mais os partidos foram se transformando em meros cartórios eleitorais para a concessão de legendas, sob a influência crescente do poder econômico sobre as instituições políticas.

É grande a diferença entre um partido e uma facção. A facção é um ajuntamento de interesses, onde prevalecem as ambições pessoais. A convivência democrática é característica do partido, o autoritarismo a marca da facção.

A crise da democracia representativa faz que os partidos – mesmo os mais ciosos de sua identidade – degenerem em facções. Tendo lutado no PSB pela manutenção de sua identidade partidária, nada mais temos a fazer, agora, dentro dele. A legenda perdeu a sua identidade política, apesar de ostentar o vocábulo socialista que, para ela, nada significa.

Constatando que o PSB não se diferencia do caráter fisiológico reinante – visto assumir sem nenhum pudor a lógica do pragmatismo político-eleitoral, sendo incapaz de responder a si mesmo e muito menos à sociedade sobre o que significa nos tempos atuais o Socialismo Democrático – é chegada a hora de tomar a sofrida decisão de nos desfiliarmos do Partido Socialista Brasileiro, sem contudo abdicar da luta política, como dever e prerrogativa do cidadão.

Santos, 6 de junho de 2011.


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domingo, 5 de junho de 2011

A VEZ DA REGIÃO DO ALTO TIETÊ





Estive ontem na cidade de Poá prestigiando o I Encontro de Blogueiros do Alto Tietê com a companhia de outros(as) companheiros(as) da comissão do I Encontro Estadual. Apesar do frio, fiquei feliz em participar e ver como o nosso Estado tem avançado no debate acerca da democratização da comunicação social brasileira.

O evento foi bem elaborado tendo transmissão ao vivo pela internat (via stream) e ótima infraestrutura. O Centro Cultural Taiguara, local onde foi realizado o evento possui um grande auditório para duzentas pessoas e o mesmo estava cheio.

Durante o dia todo, foram realizados debates entre os presentes e também através do envio de perguntas e comentários dos internautas.

Pela manhã a mesa foi composta por Paulo Henrique Amorim (blog conversa afiada) e Eduardo Guimarães (blog da cidadania) que abordaram questões referentes ao marco regulatório na comunicação social e a necessidade de universalização da banda larga (PNBL).

Após o almoço, este "sujo" blogueiro e seu companheiro de luta Aparecido, fomos surpreendidos com o convite para participarmos da mesa. Com alegria e nos sentindo honrados, fomos em frente. Nos juntamos a Ana Maria Coelho, analista de mídia do Sebrae.

Tratamos de diversos temas como a importância da disseminação de eventos como aquele pelo interior, a responsabilidade que todos temos em nos manifestarmos na internet, a questão da necessidade de criarmos um corpo jurídico de apoio aos blogueiros progressistas e ativistas digitais em geral, a importância da internet no contraponto ao PIG, a questão do acesso ao mundo virtual realizado pelas escolas (professores e alunos), a sustentação financeira dos blogs e a necessidade de ver a rede mundial de computadores como uma importante ferramenta nas lutas sociais sem deixar de lado a participação efetiva (pessoal) nas decisões do nosso país.

Na mesa seguinte, a derradeira, participaram Leonardo Sakamoto (blogueiro do UOL), Leandro de Jesus (membro da comissão organizador do evento) e Ivan Valente (deputado federal do PSOL/SP) que abordaram temas sobre a participação da sociedade na luta pela reforma agrária e pelo exercício da cidadania nas redes sociais, a dificuldade que a região do Alto Tietê tem com a telefonica e o serviço de banda larga, dentre outros.

Ao final foi redigido um texto sobre os principais temas debatidos no encontro que será divuldado pela blogosfera.

Enfim, ficou mais uma vez demonstrada a força do ativismo digital na prática da cidadania. Trata-se de um caminho sem volta. Um caminho que se solidifica a cada dia.

PIG, tremei!

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sexta-feira, 3 de junho de 2011

NADA SE CRIA, TUDO SE COPIA




A banda Coldplay lançou hoje um novo single e a música já causa polêmica. Ela está sendo acusada de plágio (Ato de assinar ou apresentar uma obra intelectual de qualquer natureza contendo partes de uma obra que pertença a outra pessoa sem colocar os créditos para o autor original. No ato de plágio, o plagiador se apropria indevidamente da obra intelectual de outra pessoa, assumindo a autoria da mesma).

Trata-se da canção que leva o nome de "Every Teardrop is a Waterfall".

Ao ouvir é inevitável reconhecer que ela utiliza os teclados de "Ritmo De La Noche", do grupo Mystic (originalmente de Simon Cowell), uma música muito executada nas baladas dos anos 1990.

Vale lembrar que ambas buscaram referência na canção "I go to Rio", de Peter Allen de 1983.

Prezado(a) leitor(a), ouça abaixo as três músicas e tire suas conclusões:

Every Teardrop is a Waterfall:



Ritmo de la Noche:



I go to Rio:



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quarta-feira, 1 de junho de 2011

PIADA DO DIA



Sensacional! Prezado(a) leitor(a), quando escrevo que a velha monarquia midiática tupiniquim e mundial se transformaram em piada há tempos é devido a exemplos como o que ocorreu ontem.

O PIG internacional, seguindo o caminho de desmoralizar e vender a ideia de que os países que não rezam pela cartilha do "Tio Sam" são governados por tiranos, se superou mais uma vez.

O fato ocorreu na TV venezuelana (vídeo acima), segundo relata a agência EFE. O presidente Hugo Chávez (eleito legitimamante pelo povo mas vendido pelo PIG como ditador sanguinário)“confirmou” a notícia disseminada por "jornais" do mundo de que estavam sendo instalados mísseis iranianos naquele país.

“Vocês podem ver que cada lançador tem três mísses, um apontado para Washington, outro para Nova York e o terceiro para Miami”, disse em tom de piada o presidente venezuelano. Em seguida, ele mostrou foto (abaixo) dos "mísseis" que na verdade são turbinas eólicas instaladas pela PDVSA.



O míssil do PIG. Hilário!


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