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sexta-feira, 31 de julho de 2015

A UM AMIGO

 
Quando você nasceu
Eu nem bem tinha nascido
Mas desconfiava que já havia entendido

O tempo seguiu o seu impiedoso curso
Como um furacão que precisa levar tudo o que está por vir

Dialogamos, refletimos, brigamos e sempre nos salvamos
Juntos na árdua caminhada sobre a areia fofa da utopia
Nos reencontramos sob a luz que ilumina sua estada a cada dia

A necessária provocação se alia à interminável rebeldia
O brilho nos olhos que reflete em todos não é produzido mas simplesmente recebido
Por cada um que tem o privilégio de cruzar as suas não cruzadas 

A existência nos apresenta surpresas necessárias
Tão necessárias quanto descobrir desde sempre no irmão um amigo

Digo, dizem, digam DIGA!


segunda-feira, 13 de abril de 2015

ENTIDADES E CIDADÃOS ASSINAM MANIFESTO DE APOIO À GREVE DOS PROFESSORES


Manifestamos nosso irrestrito apoio ao movimento grevista dos professores da rede pública de ensino do Estado de São Paulo, deflagrada no dia 13 de março de 2015.   

É inegável a triste, alarmante e caótica situação da educação pública, que vem sendo sucateada há tempos, comprometendo a qualidade do processo pedagógico. A categoria aguarda há anos, sem sucesso, o atendimento de sua pauta de reivindicações para a melhoria das condições de trabalho e da educação. 

Como é de conhecimento público, o Governo do Estado de São Paulo fechou cerca de 3.400 salas de aula, superlotando as que restaram e deixando mais de 20 mil professores desempregados.

Nesse contexto, as entidades e cidadãos que assinam o presente manifesto se solidarizam com a luta dos professores grevistas, contra a precarização de direitos, os baixos salários e o sucateamento da educação, reforçando a solicitação de abertura das negociações de todas as reivindicações imediatamente. 

Pela valorização de todos os educadores e educadoras!

Pela valorização da educação!

Entidades

Afropess
AJD – Associação dos Juízes pela Democracia
Campanha DeseducadoSP
Casa Amarela
CEDEM - Centro de Documentação e Memória da UNESP
Ciranda Internacional de Comunicação Compartilhada
Clínica do Testemunho
COADE – Coletivo Advogados para a Democracia Coletivo Frei Tito Vive    
Coletivo Mapa Xilográfico
Comissão da Verdade – Advogados para a Democracia 
Cursinho Popular Pré-universitário Psico/USP
Instituto Sedes Sapientiae
Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social
Observatório da Mulher
Organismo Parque Augusta
Sintusp  
UNESP
 
Cidadãos 

Adriano Diogo, geólogo e ex-deputado estadual (SP)
Anna Maria Martinez Correa, historiadora
Bemvindo Sequeira, ator  
Carlos Giannazi, professor, mestre em educação, doutor em história e deputado estadual (SP)
Cesar Cordaro, advogado e coordenador da Comissão Municipal da Verdade de São Paulo
Conceição Oliveira, educadora, blogueira (Maria Frô)   
Cristina Pretti, arte-educadora e artista Plástica
Dojival Vieira, advogado e jornalista  
Edgard Scandurra cantor, compositor, guitarrista e baterista, integrante da banda de rock Ira!
Eduardo Suplicy, economista, professor universitário, secretário de Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo e ex-senador
Fábio Konder Comparato, advogado e filósofo, professor da Faculdade de Direito da USP  
Fernanda Mazzafera , advogada
Fernando Fontana, jornalista, repórter e apresentador da RedeTV
Frei Betto, escritor
Iberê Bandeira de Mello, advogado
Júlio Lancellotti, pedagogo, teólogo e vigário episcopal do povo de rua
Leci Brandão, cantora, compositora e deputada estadual (SP)
Luciana Sérvulo da Cunha, professora e diretora de TV  
Marcelo Tas, jornalista, ator, diretor, apresentador de televisão, escritor e roteirista
Maria Aparecida Segatto Muranaka, professora, doutora da UNESP de Rio Claro
Maria do Rosário Martinez Correa, artista plástica Nanda Mazza, advogada, cantora e compositora
Paula Salvia Trindade, psicóloga e psicanalista
Rachel Moreno, psicóloga e pesquisadora
Rodrigo Sérvulo da Cunha, advogado e cientista social
Sergio Amadeu da Silveira, cientista social e professor da UFABC
Taciana Barros, música Terezinha Vicente, jornalista 
Zé Celso Martinez Correa, ator e diretor de teatro

Assine o manifesto enviando nome, profissão e entidade da qual participa no e-mail: coadesp@gmail.com.


sábado, 4 de outubro de 2014

FALTAM ÁGUA E VERGONHA NA CARA

Na última sexta-feira (3/10), o governador de São Paulo Geraldo Alckmin foi traído pela sua própria hipocrisia. 

 

Seguindo a tradição de sair às ruas, conversar e fotografar com o povo apenas nos momentos de eleição, posou para mais uma foto a pedido de um grupo de estudantes, certo de que eram suas eleitoras, foi surpreendido com uma manifestação contra ele.

 

No momento do registro da imagem, uma delas sacou do bolso uma folha de papel com os dizeres "Cadê a água?" e quando Alckmin percebeu já era tarde.

 

O governador mais uma vez mente (relembre apenas uma das mentiras desse cidadão) e reafirma que é o herdeiro no campo da representatividade política em São Paulo de figuras nefastas como Adhemar de Barros e Paulo Maluf que sempre tiveram a mentira como uma de suas mais importantes pautas.

 

Isso porque vários bairros da cidade de São Paulo, periferia e cidades do interior há tempos passam pelo racionamento devido à falta de água que o tucano chegou a afirmar mais de uma vez, mentirosamente e desavergonhadamente, em entrevistas e debates que esse problema não existe.

 

Por essa e tantas outras situações indignas que continuam ocorrendo durante esses mais de 20 anos de desgoverno tucano posso afirmar que o "picolé de chuchu" e sua "tchurma" jamais terão o meu voto.

 

Não podemos abrir mão da nossa dignidade! Lutemos sempre por ela! Demagogos não passarão!


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

A RESISTÊNCIA SE RENOVA

 
Do COADE
"De Tudo Ficam Três Coisas: 
A certeza de estarmos sempre começando 
A certeza de que é preciso continuar 
E a certeza de que podemos ser interrompidos antes de terminarmos.
Portanto: 
Fazer da interrupção um caminho novo, 
Da queda um passo de dança, 
Do medo uma escada, 
Do sonho uma ponte, 
Da procura um encontro." 
Poema de Fernando Sabino

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sábado, 30 de novembro de 2013

sábado, 2 de novembro de 2013

COADE PARTICIPARÁ DO FÓRUM SOCIAL DE SÃO PAULO

 
 Do COADE

O Coletivo Advogados para a Democracia participará do Fórum Social de São Paulo que ocorrerá no CEU Casa Blanca (Vila das Belezas), no dia 09/11 a partir das 13 horas promovendo o debate acerca do tema "Educação e Comunicação: perspectivas e novos caminhos".

Além disso, a Campanha Deseducadosp será lançada oficialmente.


Confira a página do evento no Facebook.


Venha debater conosco!


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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

TODO APOIO AOS PROFESSORES

  Manifestação de professores em greve na Prefeitura do Rio, nesta sexta-feira
 Do COADE

O Coletivo Advogados para a Democracia manifesta solidariedade e apoio às manifestações realizadas pelos Educadores cariocas que estão em greve a mais de 50 dias.

É necessário que os profissionais da Educação tenham o mínimo de condições para poder exercer o seu ofício. Para tanto é preciso que o poder público entenda que é fundamental o diálogo para que se encontre um consenso.

É inaceitável que os governantes continuem ignorando a necessidade de ampliar os investimentos na educação bem como o cumprimento da lei do piso, dentre outras questões que garantem dignidade aos Professores.

Também repudiamos a covarde e violenta Polícia Militar que age sob o comando do governador como se estivesse em um Estado de exceção utilizando cassetetes, gás pimenta, bombas de efeito moral e bombas de gás contra cidadãos que simplesmente estão reivindicando os seus direitos.

A luta dos Educadores do Rio de Janeiro é a luta da sociedade brasileira que precisa ter na educação uma referência de reflexão, conhecimento e cidadania possibilitando modificações profundas e necessárias ao nosso país.


O COADE apoia incondicionalmente a legítima reivindicação dos profissionais da Educação.

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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

CAMPANHA DESEDUCADOSP ENTREVISTA PROFESSOR DEMITIDO

 
 Do COADE

A campanha DeseducadoSP criada pelo Coletivo Advogados para a Democracia para denunciar o descaso existente na educação pública no Estado de São Paulo entrevistou o professor Roberto de Andrade Caetano que leciona filosofia.

Roberto nos contou as dificuldades que existem para o professor de escola pública e a situação absurda em que se encontra.

Ele pertence a uma categoria de professores criada em 2009 pelo governo do Estado chamada "O" que precariza ainda mais a atuação dos profissionais da educação.

Por pertencer a tal categoria, Roberto foi demitido porque aderiu à última greve dos professores.

Confira: 


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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

MAIS MÉDICOS PARA O BRASIL

 
Do COADE

O Brasil possui historicamente enormes dificuldades para garantir o acesso à saúde de qualidade para todos os cidadãos. Trata-se de um problema gravíssimo que sempre existiu e que precisa ser resolvido com urgência.

Diante desse cenário surge o programa de contratação de médicos estrangeiros idealizado pelo governo federal chamado "Mais Médicos" para que tal defasagem deixe de existir. Para tanto é necessário que profissionais da medicina passem a prestar serviços nas inúmeras cidades carentes em diversas regiões do país.

O apoio à iniciativa é inequívoca para qualquer cidadão com o mínimo de percepção social. Não obstante, é importante ressaltar que o caos na saúde não existe apenas por falta de profissionais da área mas também devido à falta de infraestrutura e à manutenção do acesso restrito à formação acadêmica.

Nesse sentido, o vestibular seleciona os mais bem preparados para se formarem médicos nas universidades que, quase invariavelmente, são cidadãos de classes privilegiadas que ideologicamente não possuem qualquer vínculo com a luta por melhorias sociais. Fato que fará com que os futuros médicos não queiram devolver à sociedade a oportunidade que receberam dela, realizando atendimento aos cidadãos necessitados.

O "Mais Médicos" é um paliativo, porém necessário. É preciso que o programa seja o primeiro passo para a realização de uma transformação da saúde em nosso país.

Todo apoio aos médicos estrangeiros no Brasil.


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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O NECESSÁRIO RESPEITO À DIVERSIDADE

 
Do COADE

Os Advogados para a Democracia estarão presentes, nesta sexta-feira, no evento Tributo à Diversidade da Alma. Trata-se de um ciclo de palestras que irá fomentar a reflexão acerca de grupos esquecidos, discriminados e tratados como invisíveis  pela sociedade.

Entendemos que a iniciativa é fundamental para que a resistência diante da intolerância se fortaleça bem como a percepção de que o convívio em sociedade exige a assunção da pluralidade sem qualquer forma de aprisionamento ou constrangimento.

Qualquer agrupamento que se reconheça na condição humana, precisa perceber o diverso para poder praticar o entendimento e o respeito recíprocos fortalecendo a democracia.

Confira, abaixo, a programação do evento:

“Tributo à Diversidade da Alma”
Em Comemoração ao Dia da Visibilidade Lésbica
Data: 30.8.2013
Local: Biblioteca Mário de Andrade – Rua da Consolação, nº 94, próximo ao Metrô Anhangabaú.


9h00 – Credenciamento

Mesa Trabalho: Emprego/Desemprego, Assédio Moral, Discriminação no Trabalho.
- Deputada Leci Brandão
Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo – ALESP

 - Dra. Cláudia Patricia de Luna
ONG Elas por Elas – Vozes e Ações das Mulheres

- Maria Rosani Gregoruti A. Hashizumi
Diretora da Secretaria das Relações Sindicais e Sociais do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e região.

Mesa Saúde: Direito ao Corpo, Atendimento Médico, Transgenitalização.
- Kátia Maria Barreto Souto
Coordenação-Geral de Apoio à Gestão Participativa e Controle Social – Ministério da Saúde.

- Valéria Melki Busin
Católicas pelo Direito de Decidir

 - Marcia Regina Galvão
Psicopedagoga e Escritora, autora do Livro “Mentes que Aprendem”.

- Janaína Leslão Garcia
Conselheira do Conselho Regional de Psicologia – CRP-SP.

Mesa Sustentabilidade: Direitos dos Animais à Vida e à Proteção e Meio Ambiente.

- George Guimarães
Vegetarianismo Ético, Defesa dos Direitos Animais e Sociedade - VEDDAS.

 - Márcio Moreira
Responsabilidade Social da Empresa Surya Brasil

Intervalo para Almoço (livre).

 Lançamento da Campanha “Olhos de Ver e Direitos de Sentir”

- Dra. Iolanda Mendonça
Projeto “Freedom by the Law”

Mesa Discriminação: Novas Famílias, Depoimentos das Comunidades, Homofobia.  

- Dra. Maria Cristina Reali Esposito
Conselheira de Desenvolvimento Sustentável do Município de São Paulo e Professora ESA Especialista em Direito Homoafetivo.

Depoimentos das Comunidades: Imigrante, Nordestina, Deficiente, Anã, Transexual, Cigana, Moradora de Rua, Presidiária, Idosa, Assexuada, Intersexo, Lésbica, Quilombola, Autista, Síndrome de Dow, sobrevivente da Ditadura, Indiana, Latina Americana, Caribenha, Africana, Afegã, Plus Size, Croiss Dressing, Doenças Raras, Negra, Índia, Oriental e Judia.

- Dra. Tatiana Lionço
Doutora em Psicologia, atualmente docente de graduação e mestrado em Psicologia no Centro Universitário de Brasília – UniCEUB, trabalha com ênfase em Direitos Humanos e Direitos Sexuais e Reprodutivos.

 Sorteio de brindes.
17h30 – Encerramento


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quarta-feira, 12 de junho de 2013

NOTA DE PESAR DO MST PELA MORTE DE JACOB GORENDER


O MST sente profundamente a morte de Jacob Gorender, depois de enfrentar um quadro infeccioso que provocou o seu falecimento aos 90 anos. Um lutador destacado, incansável e profundamente comprometido com as causas do povo brasileiro que clama por transformações. Um intelectual irreverente e batalhador na luta das ideias em defesa da classe trabalhadora e em defesa de um Brasil soberano e independente. Portanto, perdemos um grande homem, um lutador, um intelectual e um amigo.

Gorender lutou corajosamente contra a ditadura militar, foi preso e torturado. Estudou profundamente a realidade brasileira, buscando compreender o passado colonial, reconstituindo a memória da resistência à ditadura. Foi um estudioso do marxismo e das experiências socialistas do século XX, bem como defensor incansável do socialismo como horizonte para a humanidade.

Ao menos três grandes obras dele influenciaram a formação de militantes de esquerda no Brasil: O escravismo colonial; Combate nas trevas e Marxismo sem utopia. A caracterização do modo de produção do Brasil antes do século XX como escravismo colonial é fundamental para compreender a história e o peso da escravidão e do latifúndio na formação social brasileira.

Foi um defensor ativo da Reforma Agrária e um amigo do MST. Brindou-nos com sua presença e uma bela conferência “encharcada” de sua história de vida e de militância, durante o Seminário de Inauguração da Escola Nacional Florestal Fernandes (ENFF), em janeiro de 2005, quando refletimos sobre a importância da formação para a classe trabalhadora brasileira.

O MST lamenta a perda de Gorender e rende homenagens à sua trajetória de luta e compromisso com as mudanças estruturais no Brasil, procurando seguir seu exemplo de firmeza ideológica, de estudioso, de simplicidade, de coerência, de compromisso com a classe, de solidariedade e internacionalismo como um verdadeiro revolucionário.

Viva Jacob Gorender!

DIREÇÃO NACIONAL DO MST

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quinta-feira, 23 de maio de 2013

O COTIDIANO DE UM ESTADO DESUMANO

O texto abaixo publicado no site Passa Palavra é estarrecedor e só confirma o diagnóstico de que vivemos em uma sociedade perversa, desumana, doente.

Trata-se de um testemunho de violência explícita em plena luz do dia contra crianças em região nobre de São Paulo. Essa cidade cada dia mais sedenta por brutalidade, desrespeito, desigualdade e vingança sob o mentiroso manto da segurança/justiça.

O testemunho também deixa clara a influência midiática (PIG) na mente daqueles que vivem no mundo simplista do senso comum. E ainda há quem não defenda a criação de uma Lei de Mídia neste país.

A barbárie do sistema está legitimada e com ela não há como conviver sem preconceitos e discriminação. Cenário que empurrará inexoravelmente crianças para a exclusão, a falta de dignidade e consequentemente à revolta e violência. A partir deste momento, os mesmos flagrados agredindo crianças covardemente, surgirão clamando por justiça e defendendo a redução da maioridade penal.

A hipocrisia aponta crianças como criminosas e a sociedade individualista e senil a ratifica.

Confira:

Às três da tarde na Teodoro Sampaio

 

São três da tarde, esquina da Pedroso de Morais com a Teodoro Sampaio, próximo ao Largo da Batata, Zona Oeste de São Paulo, um dos pontos mais movimentados da capital paulista. Dois homens em plena esquina agridem três crianças. Crianças pobres: uma negra, uma mulata e a última, uma branca que não era loira.

Agredindo.

Ao ver de dentro do ônibus a cena pude ver a criança negra sendo agarrada por detrás do pescoço e sendo lançada no meio da rua. Foi o suficiente para sair em disparada do ônibus e ir em direção a eles. Ao chegar, o segundo homem estava levando a criança branca, mas não loira, pela orelha até à calçada do outro lado da rua. Nesse momento tive a desgraçada sorte de vê-lo, ao largar a criança na calçada, dizer com o dedo apontado em seu rosto:

– Cala sua boca, você é um bosta.

Disparei em meio àquela cena que os dois homens adultos se afastassem das três crianças imediatamente. A discussão estava instalada. Naquele exato momento tive a plena consciência de que um linchamento público não seria um destino distante das três.

– Mas eles são seus filhos?

– Não são e nem precisariam ser, são crianças e isso basta.

– São ladrões, são bandidos, fazem isso sempre.

– Não é sua função dizer o que eles fazem ou não. Inclusive o crime é seu. Você não pode agredir essas crianças, eu mesma vi.

Nisso, dois polícias que estavam do outro lado da rua vieram em direção à confusão que eu sozinha havia instalado.

– Pois não, o que está acontecendo aqui?

– Esses dois homens estavam agredindo essas crianças, senhor policial, eu posso ser testemunha. O primeiro senhor agarrou a criança pelo pescoço e o segundo arrastou a outra criança pela orelha, a xingando de bosta.

Um dos homens me interpelou:

– Mas você não vê que eles são bandidos?

– Não, não vejo, senhor. Vejo três crianças serem agredidas no meio da rua por vocês.

O primeiro policial se aproximou, pôs suas mãos no cinto e disparou:

– Eu resolvo isso já, vou levar esses três moleques para a FEBEM e a gente resolve isso já.
Imediatamente disparei:

– É assim que se dirige a uma criança, senhor policial?

– O que a senhora disse, senhora?

– É assim que o senhor se dirige a uma criança senhor policial? Se ele fosse branquinho dos olhos azuis o senhor falaria assim com ele, senhor policial?

Com um sorriso nos lábios me disse:

– A senhora gostaria de ir à delegacia abrir uma representação?

– Estou à disposição.

O adulto que disse a uma das crianças que ele era um bosta me perguntou:

– Você não acompanha a televisão?!

– Não coloque apresentadores da tevê no meio disso aqui. Vocês acreditam que pegando uma criança no pescoço no meio da rua, xingando ela de bosta, vocês vão incentivar o quê?! Essas crianças vão ficar malucas e por muito menos vocês estão cultivando o que assistem na televisão. Eles têm direitos sonegados. Eles têm direito a lazer, cultura e educação, e é tudo o que os três não têm.

As poucas pessoas que paravam soltavam comentários a favor de um linchamento público das três.

– São bandidos, já assassinaram alguém! Isso ai é tudo bandido, tudo assassino!

O homem que havia segurado o pescoço do menino se aproximou de mim e disse que ele estava errado e que me pedia desculpas. Respondi que ele não devia desculpas a mim, mas à criança a quem ele havia dado a enforcadura no pescoço. Ele então sumiu.

O segundo policial, muito mais flexível, abordou a questão da seguinte forma:

– O papel da Polícia Militar é mediar conflitos. São situações onde é difícil se chegar a um consenso.

– Senhor policial, mas não se trata de chegarmos a um consenso, não? Eles não podem agredir as crianças. É a lei.

– Sim, a senhora tem razão.

O policial dirigiu-se a mim e às crianças, que a esta altura já estavam todas atrás de mim como pintos atrás de uma galinha. Disse o que eles poderiam e não poderiam fazer, e que eu estava dispensada – após anotar somente o meu RG. Questionei então se o senhor policial não iria falar o que aqueles dois homens não poderiam fazer.

– Sim, sim. O senhor, quando tiver algum problema, retém a criança no local e liga no 190.

Só.

– A senhora pode ir embora, vocês podem ir embora.

E um instante de silêncio se fez em mim. Eu não ia embora. Eu poderia ter dito e feito muitas outras coisas, mas estas foram as que consegui sem ter sido presa por desacato. No final eu tinha três crianças olhando para mim imóveis. Eu tinha três crianças ali.

Detalhe: nenhum dos dois homens negou o que havia feito em momento algum; para meu espanto tentaram justificá-lo de uma forma bastante específica. Nossa televisão está regando o fascismo que transborda dos corações paulistanos. O que era uma simples ideia, agora é plena realidade. Eram três horas da tarde em plena Teodoro Sampaio, o que será das três da tarde no Jardim Paulistano ou no Campo Limpo? Eram três crianças que não passavam da altura do meu diafragma. Eram três indivíduos em plena formação, que foram humilhados em praça pública por pessoas que entenderam-se no direito. Adultos alimentados e pavimentados por um discurso massivo vomitado hora a hora pela nossa televisão.

A não implementação das garantias constitucionais dos direitos das crianças e dos adolescentes está dando seus frutos mais amargos. Até quando nosso Ministério Público irá esperar para que ele, sim, entre com uma representação contra o discurso de ódio midiatizado? Quando crianças como essas forem assassinadas preventivamente? Afinal, são todas assassinas como mostram na tevê, memória que não me deixou escapar um transeunte que se dignou a parar e a verborragir à minha frente. Se são todos assassinos, na dúvida eles não merecem outra coisa que um tratamento preventivo.

O que eu assisti abalou a mim, mas e às três? Por muito menos eu me tornaria um adulto revoltado. Alguém aqui sabe o que significa ser chamado de bosta ou ser segurado pelo pescoço como um animal em meio à Av. Teodoro Sampaio às três da tarde numa quinta-feira? Alguém?

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quarta-feira, 3 de abril de 2013

DIA 19 DE ABRIL OS PROFESSORES ENTRAM EM GREVE!

 
Depois de mais uma tentativa por parte dos profissionais da educação do estado de São Paulo em reivindicar junto ao governo melhores condições de trabalho no início de março e receber, novamente, um não como resposta restou a opção da realização da greve.

Diante de uma administração desumana e indigna que não possui qualquer comprometimento com a educação e consequentemente com os cidadãos paulistas não há como fingir que está tudo bem. 

Todo apoio aos professores e ao direito constitucional de greve!

Da APEOESP

Diante da intransigência do governo – que não atende as reivindicações da categoria – cerca de 5 mil professores presentes à assembleia estadual realizada na tarde de sexta-feira, 15, na Praça da Sé, em São Paulo, definiram que o magistério entrará em greve no dia 19 de abril e uma nova assembleia acontecerá na mesma data no vão livre do Masp (avenida Paulista) para decidir a continuidade do movimento, conforme deliberação da nossa V Conferência Estadual de Educação. Em seguida será realizada uma passeata até a Praça da República.

Conforme já informamos no APEOESP Urgente nº 13, a diretoria da APEOESP reuniu-se com o secretário da Educação no dia 12 de março. A entidade cobrou a constituição da comissão paritária para discussão do reajuste salarial, conforme determina a lei complementar 1143/11, reajuste salarial de 36,74% e a recomposição do reajuste previsto para 2012 (10,2%), do qual apenas uma parte foi efetivamente pago, uma vez que no índice concedido estava embutida a terceira parcela de incorporação da GAM, de 5%; além da implementação da jornada do piso; solução para a situação precária da chamada categoria “O”, no que diz respeito à forma de contratação, direitos e condições de trabalho; pelo fim da remoção ex-officio nas escolas de tempo integral e o pagamento da GPDI a todos os professores que optarem pela jornada integral. O governo não respondeu a nenhuma reivindicação.

Para completar, o Governo do Estado pretende privatizar o Hospital do Servidor Público Estadual. Nosso posicionamento contra a privatização é claro. Estão sendo enviadas para as regiões adesivos contra a privatização, bem como cartazes a serem afixados nas escolas e locais de grande visibilidade.

A luta por reajuste salarial, contra a precarização do trabalho, contra privatização do HSPE e outros setores do IAMSPE, por melhores condições de trabalho e outras reivindicações unificam os interesses de todo o funcionalismo estadual. Por isto, a APEOESP, por meio do Fórum do Funcionalismo da CUT/SP, está se articulando com outras entidades de servidores estaduais. Também já iniciou articulação com as demais entidades da educação para exigir do Governo que realize negociações. Conforme decisão da assembleia, a APEOESP proporá um ato unificado de todo o funcionalismo no dia 19 de abril. Os servidores da saúde já decidiram pela greve a partir de 1º de abril. Outras categorias poderão entrar em greve.

No período de 25 de março a 05 de abril realizaremos a III Caravana da Educação, que percorrerá diversas regiões do Estado. As subsedes serão contatadas a partir de segunda-feira para organizarem suas atividades. Uma carta aberta aos professores e à população será remetida às subsedes na próxima semana para ser amplamente distribuída. Também seguirá na próxima semana o cartaz que convoca a assembleia de 19 de abril.

Os professores paulistas entram em greve por:

- Reposição salarial de 36,74% e complementação do reajuste referente a 2012;
- Pelo cumprimento da lei do piso: no mínimo 33% da jornada de trabalho para atividades de formação e preparação de aulas;
- Dignidade na contratação, condições de trabalho e atendimento no IAMSPE para os professores da categoria O;
- Fim da remoção ex-officio e da designação de professores das Escolas de Tempo Integral;
- Regime de dedicação exclusiva para todos, por opção de cada professor(a);
- Melhores condições de trabalho e políticas de prevenção do adoecimento dos professores;
- Fim da lei das faltas médicas;
- Fim dos descontos de faltas e licenças médicas para efeito de aposentadoria especial;
- Fim das provinhas e avaliações excludentes;
- Por um plano de carreira que atenda às necessidades do magistério.
- Não à privatização do Hospital do Servidor Público Estadual e do IAMSPE.

A GREVE É NOSSA. A CULPA É SUA, SENHOR GOVERNADOR!

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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

VENEZUELA AO VIVO

 
É emocionante verificar ao vivo, através da tv venezuelana, a efetiva participação popular nos caminhos daquela nação. Cidadania e dignidade pelas ruas da capital Caracas e por todo o país.
Enquanto isso, cinicamente, brincamos de democracia.

Parabéns venezuelanos!

 Confira!

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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

PARABÉNS NIEMEYER!

 :

Oscar Niemeyer, um dos nomes mais importantes da história da arquitetura mundial, morreu nesta quarta-feira (5), aos 104 anos. Revolucionário de primeira hora, sempre acreditou no ser humano e na real possibilidade de levar dignidade a todos.

A história de Niemeyer não cabe em cartilhas e jamais foi cooptada pelo "deus mercado". Trata-se de uma percepção de mundo cheia de inventivas curvas de resistência em defesa da "necessidade de sonhar porque só assim é que as coisas acontecem", dizia ele. Sempre se mostrou revoltado com o mundo e suas cruéis desigualdades.

A sua presença física deixa de existir mas a sua lucidez humanista está perpetuada. Uma pessoa como ele, reconhecida mundialmente, jamais se perdeu dos seus ideais. A construção de Brasília foi um deles. Resistiu bravamente a permanecer no mundo do SER se negando a aceitar o mundo do TER.

Um dia triste para o Brasil e, em especial, para aqueles que acreditam que o sistema e a sociedade em que vivemos são desumanos mas, por outro lado, deixa uma centenária referência de que é necessário e possível lutarmos por mudanças e não sucumbirmos a uma cínica liberdade democrática.

Abaixo, um trecho do documentário realizado em sua homenagem há alguns anos chamado "A vida é um sopro":



Oscar Niemeyer, PRESENTE!

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domingo, 11 de novembro de 2012

ATO CONTRA A VIOLÊNCIA NO JARDIM ÂNGELA



Da Agência Brasil

Um grupo de moradores do Jardim Ângela realizou no dia de finados, uma caminhada pelas ruas do bairro contra a violência em São Paulo. Segundo a Polícia Militar, a caminhada durou cerca de duas horas e teve como destino final o cemitério Jardim São Luiz, na zona sul.

Em meio à onda de violência dos últimos meses no Estado, eles pretendiam mostrar que a organização comunitária é um dos caminhos para amenizar o problema da segurança pública nos centros urbanos.
Em 1996, o Jardim Ângela foi apontado pela ONU (Organização das Nações Unidas) como a região urbana mais violenta do mundo. "[Os bairros] Capão Redondo, Jardim Ângela e São Luiz eram conhecidos como triângulo da morte", disse Eduardo Oliveira, coordenador de comunidade da Paróquia Santos Mártires e um dos organizadores do ato. A coordenação do ato informou que, em 1998, eram registrados 130 homicídios para cada 100 mil habitantes na região.

"Nessa época, tinha um sentimento de medo muito forte. Foi então que nos reunimos para pensar o que fazer. Em vez de levantarmos grades e muros mais altos, fazendo das casas cadeias, vimos que o melhor era ir para a rua", diz padre Jaime Crowe, da Paróquia Santos Mártires. Desde 1995, os moradores reúnem-se no dia 2 de novembro para protestar e dar visibilidade às vítimas da violência da região, muitas das quais são enterradas como indigente no Cemitério Jardim São Luiz.

"Reunimos 5 mil pessoas no primeiro ano. A caminhada deu-nos fôlego para pensar outras ações. Foi então que criamos o Fórum em Defesa da Vida, que continua se encontrando mensalmente na paróquia", disse o padre. Ele informou que as reuniões aglutinam, em média, 50 pessoas. Dentre as conquistas resultantes do processo de organização, ele cita a construção do Hospital M'Boi Mirim e a implantação do policiamento comunitário. "A taxa de homicídio no Jardim Ângela caiu para 25 assassinatos a cada 100 mil habitantes. Queremos chegar a zero".

O padre Jaime Crowe avalia que, quando a comunidade é assistida em termos de políticas públicas, os índices de criminalidade tendem a cair. "Você cria oportunidade para as pessoas", diz. Ele avalia que os recentes casos de violência não chegaram tão fortemente ao Jardim Ângela. "O bairro não está mais em primeiro lugar no ranking. A desigualdade é responsável por gerar violência. Tem que fazer chegar cidadania nesses lugares".

Eduardo Oliveira, que mora na região há 46 anos, acredita que a situação no bairro melhorou nos últimos 20 anos. "As pessoas enfrentavam muito preconceito quando diziam que moravam no Jardim Ângela. Era difícil até para conseguir emprego", diz. Apesar dos avanços, o bairro ainda guarda muito desafios: transporte público, creches e ainda a questão da segurança.

A família do aposentado Antônio Cristóvão da Rocha, 70 anos, participa da caminhada desde que ela foi criada, na década de 1990. A esposa Joana Rocha, 69 anos, e as filhas Maria Rita, 33 anos, e Patrícia, 26 anos, concordam que a questão da segurança requer mais investimentos. "É certo que melhorou, mas ainda tem muito para mudar", diz Maria Rita.

Durante o ato, os moradores usaram faixas brancas na cabeça com nomes de pessoas do bairro que foram assassinadas. Além disso, grupos de jovens fizeram apresentações teatrais. Ao final da caminhada, foi celebrada uma missa campal no cemitério.

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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

FRASE DO DIA

"Esta noite milhões de crianças dormirão na rua, mas nenhuma delas é cubana."
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