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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O CASO WILLIAM WAACK: DAVID RESPONDE GOLIAS





Do Brasil que Vai

Para quem pegou o programa pela metade convém retomá-lo. Há quase 2 meses atrás este Blog reproduziu notícias que circulavam pela rede dando conta da existência de documentos do Wikileaks que associavam o jornalista Wliam Waack com o governo americano.

Antes desse texto, um primeiro foi publicado que apontava o surgimento da TV Globo como resultado, por um lado, da iniciativa do governo militar que se instalou no país com o golpe de 1964 e, por outro lado, do acordo firmado entre o jornal da família Marinho e o grupo americano Time – Life em 1965 na cidade de Nova Iorque.
O texto encerrava-se com a afirmação opinativa de que muito embora fossem conhecidas as ligações da TV Globo com grupos americanos, desconhecia-se o fato de que essas relações se estendessem ao governo daquele país e que muito menos tivessem continuidade até os dias de hoje, como faziam supor os documentos trazidos a público pelo Wikileaks.

Esse texto permaneceu postado sem que suscitasse maiores controvérsias. Até que pouco tempo depois a mídia anunciasse o encerramento das atividades do site, o que fez o Blog publicar novo texto lembrando a existência dos documentos relacionados às atividades do jornalista.

O assunto ganhou então súbita divulgação, vindo a ser repercutido pelos principais sites noticiosos do País e do exterior como o americano Huffington Post.
Essa repercussão apenas foi possível porque o site R7 de Edir Macedo com sua mais que conhecida indisposição com relação à TV Globo, fez publicar matéria que citava o Blog como fonte da informação e reproduzia à sua conveniência trechos do texto nele postado.

Foi o bastante para que um tema amanhecido ganhasse fóruns de novidade e viesse a dar ensejo como que a um escândalo nacional.
Confirma a exegese simplória do que pode ser denominado o “episódio Waack” a matéria do site Observatório da Imprensa, subscrita pelas representantes “Organização Pública” de jornalismo investigativo, responsável pela divulgação dos documentos do Wikileakis.

Nessa matéria as jornalistas Marina Amaral e Natália Viana, a par de buscar banir quaisquer suspeitas sobre as atividades Wiliam Waack, manifestam elas mesmas surpresa com a repercussão do assunto.

Na defesa do colega jornalista, Marina e Natália, colocam na berlinda os ex-ministros Nelson Jobim e José Dirceu não deixando dúvidas sobre a opinião de que sobre esses sim deveria recair a condenação dos leitores e internautas. Inferem que por serem homens de Estado deveriam pautar suas condutas por maior recato nas interações com governos estrangeiros.

Usam em favor do jornalista a imagem do mecânico com mãos sujas de graxa para insinuarem que era da natureza do trabalho de Waack falar sobre aquilo que seria seu ofício, informar.

Arrolam testemunha o ex- presidente do Instituto Fernando Henrique Cardoso, Sérgio Fausto, e criam uma distinção retórica (que dá título ao artigo) entre “interlocutor” e “informante” para fazer crer que Waack seria uma espécie de consultor esporádico do governo americano e não fonte permanente de informação.
Enfim, uma dedicada peça de defesa ao colega de profissão cujos malabarismos conceituais dispensam consideração.

Chegam até a deslocar o foco da celeuma para uma questão conexa que pouca relação tem com o que está em discussão: cabe a um jornalista com posições políticas definidas, moderar debates políticos ocultando suas opções partidárias, perguntam elas? Pergunta irrelevante tendo em vista que as posições políticas manifestas por Waack nos programas que comanda coincidem em gênero e grau com as da emissora para a qual trabalha. O que pensa ou o que não pensa pessoalmente o jornalista soa nesse sentido secundário.

É todo o contexto que deve ser considerado. A impropriedade de que um jornalista que conduz dois programas de grande penetração na TV brasileira, freqüente colóquios com representantes de governo estrangeiro e interfira com seus posicionamentos na disposição de multinacionais estrangeiras em contribuírem com uma ou outra das candidaturas concorrentes em pleitos nacionais, como o de 2010 que levou a desafeta do jornalista Dilma Russef à presidência da República.
Se contatos com governos estrangeiros mantiveram também agentes ou ex-agentes do Estado, agiram eles sim de acordo com a natureza de suas atividades.

Se exorbitaram no que lhes era dado falar, cabia ao governo demiti-los. O que, de um modo ou outro, parece ter ocorrido. Mas que sanção sofreu Waack ao criar condições políticas favoráveis a uma única candidatura? Qual a extensão e a natureza desses contatos?

Evidente que essas dúvidas não podem ser esclarecidas pelo libelo de defesa que fazem as colegas jornalistas de Waack. Em última instância, apenas os Órgãos de Segurança brasileiros poderão esclarecê-las.

Que fique claro para Waack: não foi o inofensivo Blog de um cidadão sem filiação partidária que expôs o jornalista, mas os documentos do Wikileaks e o enfoque que pretenderam dar ao episódio os grandes adversários da emissora para que trabalha.

Quer prender, quer arrebentar quem expressa livremente suas opiniões para salvaguardar seu pretenso direito de fazer um jornalismo questionável em termos dos interesses nacionais? Que o faça! Mas qualquer um também terá o direito de pedir que se o investigue pela dúvida de extrapolar seu papel de informar àqueles, que a princípio, seria pago para informar.

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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

WIKILEAKS APONTA WAACK COMO INFORMANTE


Do Brasil que Vai

O encerramento ainda que provisório das atividades do site Wikileaks, que compôs até agora o novo cenário de insurgência da cidadania mundial contra a manipulação secular de governos e da grande mídia internacional, foi recebido com festas no Brasil.

Ao mesmo tempo em que espocaram rojões na Casa Branca tilintaram taças no gabinete dos irmãos Marinhos, agastados com documentos sigilosos trazidos a público pelo site há pouco menos de 2 meses atrás, os quais permitiram saber que um dos seus mais influentes âncoras de telejornais, Wiliam Waack, era informante regular do governo americano.

O jornalista, que conduz um dos mais direitistas telejornais da TV brasileira, o Jornal da Globo, é moderador também de um programa de debates sobre política internacional que prima pela parcialidade, trazendo regularmente como convidados uma maioria de ex-embaixadores octogenários que possuem em comum o mais evidente ranço contra a política externa que vem sendo implementada com sucesso pelo Itamaraty faz quase 10 anos.

Política exitosa porque consulta os interesses de projeção continental do Brasil na América latina e no mundo, num contexto em que o descolamento da crise mundial logrado pelos países emergentes e a integração entre eles, passou a constituir o novo eixo de estabilidade da política e da economia internacional.

Em virtude de que as novas orientações de política externa não mais se coadunam nem com os interesses americanos, que se preocupam com o cosmopolitismo nacional, nem com os do estado de Israel, influente no “stablishment” norte- americano e que se ressente do apoio à causa da autonomia dos povos árabes, o Departamento de Estado americano buscou fincar estacas nos meios de comunicação especializados em política internacional do Brasil.

No que se suspeita ser um caso de infiltração da CIA nas instituições do país, o jornalista Waack foi indicado por instâncias daquele governo estrangeiro para sustentar posições na mídia brasileira afinadas com as grandes linhas da política externa americana. Por essa razão é que se sentiu à vontade de protagonizar insólitos episódios na programação que conduz, nos quais não faltaram sequer palavrões dirigidos a autoridades do governo brasileiro.

Por essa razão é que Waack mantém-se como âncora, mesmo quando a emissora viu-se forçada a promover uma dança das cadeiras a fim de intentar um novo alinhamento político com vistas a relacionar-se com o governo federal para poder interferir em temas de seu interesse e que deverão ser objeto de decisão no próximo período, como a abertura do mercado de TV a cabo para as empresas de telefonia, a universalização da banda larga e a regulamentação da mídia.

Os documentos divulgados pelo Wikileaks de encontros regulares de Waack com o embaixador do EUA no Brasil e com autoridades do Departamento de Estado e da embaixada de Israel mostram que sua atuação atende a outro comando que não aquele instalado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Aceitam os Marinhos a autonomia de Waack sobre seus programas porque são atendidos eles mesmos em interesses menos defensáveis junto a grandes estúdios americanos e bancos estadunidenses.

O site Wikileaks cantou a bola. Agora é preciso que o governo brasileiro aja e defenda os interesses do país contra ações de espionagem e de manipulação de programas jornalísticos que em razão de abordagens unilaterais procuram desmoralizar políticas legitimamente validadas pelo voto do eleitor brasileiro.

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