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sábado, 10 de março de 2012

CASO PINHEIRINHO SERÁ LEVADO À ONU E À OEA



Entre as denúncias apuradas pelo Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana de São Paulo há relato de estupro coletivo.

Da Revista Fórum
 
O Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana de São Paulo (Condepe) apresentou, hoje (09), na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) , um relatório preliminar sobre a atuação da Polícia Militar durante a operação de remoção das famílias do Pinheirinho, em São José dos Campos.

De acordo com o relator do documento, o deputado estadual Renato Simões (PT), os “dados contestam frontalmente a versão do Estado, que alegava que não houve violência durante a ação”. O Condepe escutou 634 famílias, sendo que apenas um membro de cada uma respondeu aos questionários. Durante a apresentação, o presidente do Condepe, Ivan Seixas, usou palavras como “ataque”, “invasão” e “show de terror”, para explicar a operação.

Graves denúncias são feitas nas 56 páginas do documento. Uma delas se relaciona a um estupro coletivo, que teria sido promovido por agentes da Polícia Militar contra membros de uma família. Renato Simões afirmou que esses policiais são da Rota [Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar] e a Corregedoria da Polícia Militar do Estado de São Paulo já teria identificado os envolvidos e confirmado o fato em inquérito que está em andamento, segundo o documento. Questionada, a Corregedoria afirmou que só vai se pronunciar após tomar conhecimento do relatório.

Foi confirmada ainda uma morte por atropelamento. Uma mulher que fugia com seu carro, “devido à bomba de efeito moral que jogaram dentro do carro dela”, atropelou um homem. David Washington Furtado foi baleado pelas costas, pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) de São José dos Campos. O presidente do Condepe, Ivan Seixas, disse que ele “está com a mobilidade da perna esquerda prejudicada”.

Outro problema enfrentado pelos moradores, após a remoção, tem sido a perda das vagas em creches e escolas da região. O vereador de São José dos Campos Tonhão Dutra (PT), revelou que tem recebido “no gabinete muitos pais e mães pedindo vagas para seus filhos”.

Violações e politização da investigação

As violações que constam no relatório são diversas, 260 pessoas alegam que sofreram ameaças e humilhações, 225 tiveram pouco tempo para recolher os bens, 205 tiveram suas casas demolidas sem a devida retirada dos bens e 248 sofreram com as consequências do uso de armamento. Outro dado relevante é que 80 pessoas entrevistadas perderam o emprego após a remoção, o que representa 12,7% do total. Isso porque boa parte das pessoas não tinha roupas para ir ao emprego, dinheiro para se locomover ou tiveram que ficar com suas famílias para procurar abrigos. Dos entrevistados, 51% alegaram ter tido prejuízos de mais de R$ 35 mil com a perda de bens que não puderam ser retirados, além do valor investido na construção.

As entrevistas foram feitas nos quatro abrigos montados pela prefeitura de São José dos Campos. Depois de visitar todos, Ivan Seixas analisou a situação dos moradores e comparou a política da prefeitura ao regime nazista. “Os abrigos pareciam campos de concentração, com pessoas em condições precárias de existência. Elas eram obrigadas a usar pulseirinhas que lembravam as tatuagens nazistas, para identificá-las”, afirmou.
O relatório final, que deve ser apresentado no final de março, deve ser encaminhado às comissões de direitos humanos da Organizações dos Estados Americanos (OEA) e à Organização das Nações Unidas (ONU).

O deputado estadual Adriano Diogo (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alesp, reclamou que está havendo um “boicote” à comissão, comandado pelo governo. Diogo apresentou documentos que apontam sete requerimentos de investigação que envolviam o Pinheirinho, que não foram aprovados. Desde o dia 20 de fevereiro não há quórum para a realização das reuniões da comissão presidida pelo deputado, pois “há uma ordem do governo para que o PSDB e a base aliada não apareçam”.

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quinta-feira, 8 de março de 2012

CONDEPE DIVULGA RELATÓRIO PARCIAL DO PINHEIRINHO





Amanhã, dia 9, sexta-feira, o CONDEPE divulga à imprensa o Relatório Parcial sobre o Caso Pinheirinho - A VOZ DAS VÍTIMAS.

Esse primeiro relatório do CONDEPE tem por objetivo principal dar visibilidade às denúncias de violação de direitos humanos na reintegração de posse do Pinheirinho, realizada com brutalidade pela PM do Estado de São Paulo e pela GM de São José dos Campos, no último dia 22 de janeiro.

As constantes negativas por parte de autoridades do Estado de violações de direitos humanos naquela oportunidade serão contestadas pelo depoimento de 638 vítimas do Pinheirinho que, nos dias 30 de janeiro e 4 de fevereiro, prestaram depoimentos a voluntários e voluntárias organizados pelo CONDEPE numa força-tarefa que envolveu defensor@s de direitos humanos e lideranças de movimentos sociais.

Atividade: Entrevista coletiva à imprensa (apresentação do relatório)
Data: 09 de março de 2012, sexta-feira
Horário: 10h30
Local: Plenário José Bonifácio da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo

--
Condepe-SP - Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana
Condomínio Edifício Campanário - Rua Antônio de Godoy, 122, 11o. andar, salas 111, 112 e 113
Bairro de Santa Ifigênia, São Paulo/SP, CEP 01034-000
Telefone e Fax: +55 11 3104.4429 / +55 11 3105.1693
E-mail (institucional): condepe@sp.gov.br
E-mail (alternativo): condepe.sp@gmail.com

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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

SOMOS TODOS PINHEIRINHO

No último domingo e ontem estive junto com companheiros dos Advogados Progressistas, da Comissão Estadual de Blogueiros Progressistas do Estado de São Paulo, do CONDEPE, com autoridades e voluntários conhecendo de perto a violência sofrida pelos moradores de Pinheirinho, em São José dos Campos.

Antes de chegar, este sujo blogueiro imaginava testemunhar situações de desrespeito aos trabalhadores expulsos de suas casas com a tradicional truculência da polícia tucana de São Paulo. Ao me deparar com a área devastada e com os depoimentos dos moradores que foram jogados na rua percebi que a situação é muito pior do que a que o PIG divulga e a que eu imaginava.

No domingo estivemos no alojamento chamado Parque Morumbi e o que se viu era um total e absoluto desrespeito ao cidadão. Centenas de famílias amontoadas em um ginásio, em seus banheiros e vestiários e em uma quadra de bocha. Todos jogados pelo chão em colchões e com poucos móveis que puderam salvar de suas casas. Existem pessoas doentes, deficientes e especiais. Um local onde falta tudo. Comida, água, roupas e, principalmente, dignidade!

Na manhã do dia seguinte, nos juntamos ao CONDEPE (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos das Pessoa Pessoa Humana) e a dezenas de voluntários na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que logo após a invasão policial serviu de abrigo aos desalojados e onde ocorreram inúmeros casos de violência contra o povo de Pinheirinho.

Lá nos dividimos em quatro grupos para que fosse possível ouvir os desabrigados que se encontram em quatro locais na periferia da cidade (Caíque Dom Pedro, Vale do Sol, Ubiratan Maciel e Parque Morumbi). Através de um formulário de denúncias e atendimento, o mutirão entrevistou mais de 500 pessoas nesses locais.

Estive junto ao grupo que visitou o abrigo da Escola Estadual Caíque Dom Pedro, com 800 desabrigados. Ao chegarmos fomos barrados no portão de entrada pela guarda municipal que fixou base ali. Depois de alguns minutos de negociações com a chefe da equipe de assistência social que lá se encontrava, a entrada naquele espaço público foi liberado para nós, simples cidadãos brasileiros.

Iniciamos os trabalhos diante de cenas tristes e revoltantes como as que presenciamos no dia anterior no outro abrigo. Todas as salas de aula, o ginásio e o pátio da escola estão tomados por colchões pelo chão, muitas crianças, animais mortos (pombos e ratos) e sujeira. Lá também falta dignidade apesar da presença da "assistência social" da prefeitura que com alguns agentes tem recebido doações de roupas e cadastrado os desabrigados para o tal "aluguel social" que pretende pagar R$500,00 aos cidadãos expulsos de seus lares para que todos possam encontrar outra moradia.

Os relatos dos desabrigados são assustadores. Muitos reclamam da alimentação entregue em marmitex por uma empresa contratada pela prefeitura. Afirmam que a comida é ruim, muitas vezes estragada e nunca muda.

Na maioria dos depoimentos colhidos, é possível verificar que muitos perderam tudo como colchão, cama, fogão, geladeira, máquina de lavar roupas, brinquedos, discos, televisão, computador, armários, instumentos de trabalho, além do seu lar construído ou comprado com o esforço de anos.

Todos afirmam que os policiais chegaram no domingo (22/01) às 05 da manhã, com gritos de ordem para que todos saíssem de suas casas, com ameças e agressões. Além disso, helicópteros da PM sobrevoavam o bairro fazendo vôos razantes sobre as casas e jogavam bombas de gás lacrimogênio nas residências.

Não houve qualquer comunicado anterior sobre o cumprimento da ordem judicial de reintegração de posse. Os marginais travestidos de policiais atiravam bombas de gás, balas de borracha e gás pimenta nas pessoas. No desespero, os moradores tentaram tirar os seus pertences de suas casas mas foram impedidos pelos policiais que ordenavam para que apenas mulheres retirassem rapidamente o que achavam ser o mais importante. Junto a isso, os tratores seguiam derrubando com agilidade as casas. Não havia tempo para salvar nada, além de documentos. Sendo que em diversos casos nem os documentos foi possível salvar restando apenas a roupa que vestia. Vários moradores mostraram marcas de agressão por todo o corpo. Covardia!

Os depoimentos foram realizados de forma dramática com trauma e muito choro. Foi difícil de conter a emoção. Vários me chamaram mais atenção, dentre eles aqueles que afirmam que a tropa de choque perguntava aos moradores expulsos "De quem é o Pinheirinho agora?" e seguiam batendo com o cassetete no escudo aos gritos de "O Pinheirinho é nosso!". Além disso obrigava os moradores a gritarem "O Pinheirinho é de vocês".

Além da tristeza e revolta, os desabrigados estão preocupados com o futuro incerto. Não sabem onde poderão morar devido ao baixo valor do "aluguel social" e do preconceito sofrido no momento em que se apresentam ao proprietário do imóvel como ex-morador de Pinheirinho. O aluguel é negado imediatamente.

Desmentindo o afirmado pelo PIG, pela polícia e pelo Estado (na verdade são sinônimos), muitos moradores afirmam que testemunharam a morte de uma menina e a agressão a um senhor de 70 anos muito conhecido no bairro que foi retirado de sua casa, algemado, levado por uma viatura e está desaparecido. Era evidente também o receio de determinados moradores no momento de contar tudo o que viram. Alegavam que nós íamos embora e eles ficaríam sem proteção nenhuma diante da "polícia". Aliás, entre os "assistentes sociais", foi possível perceber que um deles rodeava os depoimentos para poder ouvir o que estava sendo dito.

Depois de muito trabalho, chegou a hora de partir. Muitos ainda queriam falar e isso fez com que a nossa saída fosse ainda mais delicada. Foi quase impossível deixar aquelas pessoas sofridas, violentadas no que elas possuem de mais importante, a dignidade.

Por volta das 19h ocorreu uma audiência pública na Câmara Municipal de São José dos Campos com a presença de desabrigados do Pinheirinho, entidades ligadas aos direitos humanos e parlamentares que chegaram a conclusão que realmente houve uma ação totalmente descontrolada e criminosa em Pinheirinho e que ainda há muito a fazer para ajudar aquele povo.

Diante de tudo o que vi, afirmo sentir vergonha de viver em uma sociedade capaz de práticas inclassificáveis como a ocorrida em Pinheirinho. Saí de lá ainda mais convicto de que as pessoas que possuem o mínimo de sensibilidade humana precisam se unir e ajudar aquele povo. Assim como afirmei a vários moradores que tive o prazer de conhecer e me solidarizar, voltarei em breve para lá.

SOMOS TODOS PINHEIRINHO!

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domingo, 29 de janeiro de 2012

ADVOGADOS PROGRESSISTAS ESTARÃO EM PINHEIRINHO NESTE DOMINGO

Do Blog dos Advogados Progressistas

Os Advogados Progressistas estarão neste domingo em São José dos Campos para entregar aos desabrigados do bairro de Pinheirinho mantimentos arrecadados. Produtos de higiene pessoal, limpeza, alimentos e água serão doados aos ex-moradores daquele bairro.

Além disso, nos uniremos ao CONDEPE para participarmos do mutirão que se realizará na segunda-feira para que seja possível ouvir os testemunhos dos moradores sobre tudo o que ocorreu naquele local para que posteriormente possamos redigir um documento a ser entregue as autoridades competentes de defesa dos direitos humanos.

Somos todos Pinheirinho!

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sábado, 28 de janeiro de 2012

PINHEIRINHO: LISTA DOS VOLUNTÁRIOS PARA O MUTIRÃO

O Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana - Condepe-SP, agradece a mobilização e disponibilização para o mutirão de segunda-feira 30, em São José dos Campos/SP.
Já contamos com mais de cinqüenta voluntários confirmados.
Segue aqui a listagem:

[ A ]
Adolfo Fito Fernandez
Amanda Oi
Ana Paula Salviatti Bonuccelli
André Feitosa Alcântara
Anelise Moreira
Angelina Pandita Pereira
Antônia Márcia Araújo Guerrra
Aparecido Araujo Lima,

[ B ]
Bruna Caroliny Menezes Neto

[ C ]
Camila Galvão Tourinho
Carolina Santa Rosa Corrêa
Christiana Paiva de Oliveira
Claudia Abramo Ariano
Cleber Lopes

[ E ]
Eduardo Guimarães
Elisabete Aparecida Silvério
Ellen Maria Pereira Caixeta
Emi Koike

[ F ]
Felipe Oliveira Campos
Flávia Annenberg
Francisca Ivaneide de Carvalho
Francisco Donizete Ventura

[ I ]
Igor Carvalho

[ J ]
Jessica Santos Souza
José Rogério Beier

[ L ]
Larissa Castro Chryssafidis
Leonardo de Carvalho
Letíca Cruz
Luciano Santos Araújo

[ M ]
Manuel Lira
Marcela Cristina Fogaça Vieira
Márcia Antonieta Farro
Marco Antonio Filgueiras
Marco Antônio Lopes
Maria Angélica da Andrade
Maria das Graças Maciel Delgado
Mariana Menezes Marcondes
Meire Cavalcante

[ N ]
Nilva de Souza
Nínive Nunes Ratão

[ P ]
Pedro Martinez

[ R ]
Renata Francisco Marques
Rodrigo Ferlin Saccomani dos Reis
Rodrigo Sérvulo da Cunha

[ S ]
Salvador L. Rebelo Jr.
Sérgio Luiz de Almeida Prado Pecci
Sidney Rodrigues Ferrer
Soraia Costa
Sueli Santiago dos Santos

[ T ]
Tádzio Peters Coelho
Tatiana Tiemi Akashi.

Entraremos em contato para combinarmos os pormenores.

Att,

Renato Simões – Conselheiro-Relator
Aristeu Bertelli – Secretário Executivo
Condepe-SP – Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana

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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

TODOS AO PINHEIRINHO!





Do CONDEPE


COMO VOCÊ PODE AJUDAR O CONDEPE NO CASO DO PINHEIRINHO?

Segunda-feira, dia 30, teremos um Mutirão em São José dos Campos para formalização de todas as denúncias de violação de direitos humanos no Pinheirinho. À noite, 19h, audiência pública do CONDEPE na Câmara Municipal de São José dos Campos. PRECISAMOS DO SEU APOIO.

1. Precisamos de voluntári@s com experiência em oitiva de depoimentos para participar do Mutirão. São dezenas de pessoas para ouvir e tomar a termo suas declarações. Se você pode dispor de um tempo para isso, mande seus dados para a página do Condepe-sp Direitos Humanos no facebook ou pelo e-mail condepe@sp.gov.br.

2. Precisamos de voluntári@s que possam contribuir com condução para levar de São Paulo - Capital a São José dos Campos as pessoas que participarão do Mutirão. Por favor, cadastrem-se da mesma foma assinalada acima. O encontro para sair da capital para São José será em frente à UNINOVE - saída da Estação Barra Funda do Metrô para o Memorial da América Latina, na Av. Auro Soares de Moura Andrade, as 7h.

3. Precisamos organizar a transmissão on-line da audiência pública da noite, gerando o sinal a partir da Câmara Municipal de São José. Quem se habilita?

4. Há muitas informações desencontradas e dispersas. É preciso centralizar e apurar, para dar credibilidade e consistência para as denúncias. Poste vídeos, fotos, documentos e depoimentos colhidos no Pinheirinho, na página do Condepe, ou envie para condepe@sp.gov.br para que possamos checar e incluí-los no Relatório.

Desde já gratos,

Renato Simões Conselheiro Relator
Aristeu Bertelli Secretário-Executivo

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sábado, 5 de março de 2011

ALCKMIN QUER DESALOJAR O CONDEPE. É PURA TUCANAGEM!





Do Escrivinhador

Ivan Seixas preside o CONDEPE – Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana – em São Paulo. O Ivan é um dos responsáveis pelas escavações no cemitério de Vila Formosa – em busca de corpos de militantes de esquerda mortos pela ditadura e enterrados como indigentes.

Mas o CONDEPE (que é um órgão de Estado, e não de governo) não lida só com o passado. Tem cumprido um papel fundamental, denunciando abusos cometidos pela polícia – como no caso do motoqueiro assassinado dentro de um quartel da PM em São Paulo.

O trabalho do CONDEPE deve incomodar as autoridades. Aliás, o papel dele é incomodar as autoridades evitando abusos por parte das forças do Estado.

Pois bem. O CONDEPE parece estar sob ataque da Secretaria de Justiça doEstado de São Paulo.

A secretaria, de forma arbitrária, quer mudar a sede do CONDEPE. Sem consulta prévia. Na base da canetada. Fora isso, o governo paulista demorou quase dois meses para nomear seu representante no CONDEPE, na gestão Alckmin. É o que Ivan revela, em dois documentos:

- uma carta aberta enviada à secretária – que foi nomeada pelo governador Alckmin.

- um manifesto em que explica porque o CONDEPE rejeita a decisão do governo paulista.

A seguir, publicamos os dois textos…

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Prezada senhora Eloisa de Sousa Arruda

Secretária de Justiça e Defesa da Cidadania

Causou profunda estranheza a comunicação de seu chefe de gabinete em que afirma não poder publicar nosso edital de convocação das Assembléias Ordinárias do CONDEPE.

Mais estranha ainda é sua afirmação de que como já foi comunicado o Conselho vai ser instalado, nos próximos dias, no edifício sito na Rua Antônio de Godoy, nº. 122, 11º andar, onde haverá sala destinada às reuniões dos Conselhos ali instalados.

Tal afirmação não coincide com a verdade, visto que nunca fomos consultados ou sequer informados por escrito de que tal transferência aconteceria.

Necessário lembrar que o CONDEPE não é um conselho de governo. É um Conselho de Estado, criado pela Lei Estadual Nº. 7.576/91, complementada pela 8.032/92, que não se subordina a nenhuma secretaria de governo. Assim está escrito na letra da Lei:

“Artigo 3º – O Conselho, no exercício de suas atribuições, não está sujeito a qualquer subordinação hierárquica, integrando-se na estrutura da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania para fins de suporte administrativo, operacional e financeiro, devendo contar, para o desempenho de suas funções, com um corpo permanente de servidores públicos”

O espaço de funcionamento do CONDEPE foi consagrado no que a Lei designa como “Sala da Cidadania” (Artigo 9º – A dependência em que funcionar o Conselho será denominada “Sala da Cidadania”.) e NUNCA foi desrespeitada essa determinação legal.

Desde sua criação, na gestão do Luis Antônio Fleury, passando pelas gestões dos governadores Mário Covas Filho, Geraldo Alckmin, Cláudio Lembo, José Serra e Alberto Goldman, o CONDEPE – Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana – NUNCA foi tratado com tamanha desconsideração e desrespeito, como está sendo tratado agora.

Os conselheiros do CONDEPE acreditam que a atual ação desrespeitosa é motivada por desinformação e manifestam aqui seu mais profundo desagrado com a decisão e a forma como está sendo conduzida. As entidades que compõem o CONDEPE não aceitarão passivamente essa atitude grosseira e agressiva a essa conquista da Cidadania durante o processo de redemocratização.

Como o CONDEPE é um órgão de Estado e de atuação pública, tornará pública sua desaprovação aos métodos e a maneira desrespeitosa como está sendo tratado.

Inconformadamente

Ivan Akselrud de Seixas

Presidente

===
POR QUE O CONDEPE REJEITA O DESPEJO

1- O CONDEPE (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana do estado de São Paulo) é um órgão de Estado gerido pela Sociedade Civil, criado pela Lei estadual 7576/91, como fruto do processo de reconstrução democrática;

2- Como está escrito na Lei 7576/91, o CONDEPE não tem subordinação hierárquica ao governo do Estado e terá uma sala destinada para seu funcionamento dentro das dependências da Secreataria de Justiça e Defesa da Cidadania;

3- São componentes do CONDEPE, além dos representantes da Sociedade Civil e das Universidades estaduais, um representante do Poder Executivo, um do Poder Legislativo e um do Poder Judiciário. O Deputado Estadual José Cândido representa o Legislativo, o Desembargador Antônio Carlos Malheiros representa o Judiciário e o Poder Executivo, nesta gestão, não indicou representante;

4- Todo e qualquer ato do CONDEPE ou referente a ele deve ser apresentado ao Colegiado de Conselheiros e aprovadop em Assembléia;

5- Todas as Assembléias são convocadas por editais publicados no Diário Oficial do Estado, com antecedência devida;

6- Nenhum dos Conselheiros é remunerado para cumprir com suas funções cívicas;

7- São tarefas legais do CONDEPE o recebimento de denúncias e seu encaminhamento para procedimentos de defesa dos Direitos Humanos;

8- São prerrogativas legais do CONDEPE adentrar em qualquer dependência do Estado e requisitar documentos oficiais, que devem ser respondidos num prazo máximo, improrrogável, de 30 dias;

9- O endereço e telefones para recebimento, desde sua origem é no edifício sede da Secretaria de Justiça e Defesa da Cidadania, no Patio do Colégio, 148;

10- Nenhum mandato de governo pretendeu mudar o CONDEPE de l ocal, pois ali era o endereço conhecido para a população fazer denúnicas contra violações aos Direitos Humanos por parte de agentes do Estado ou por omissão desses agentes;

11- A atual gestão de governo estadual até a presente data não indicou seu representante junto ao CONDEPE;

12- O Chefe de Gabinete da Secretaria de Justiça e Defesa da Cidadania se recusou a enviar para publicação o edital de convocação das Assembléias Ordinárias do ano de 2011. Alegou para isso que o CONDEPE seria transferido de lugar e que essa “decisão” já teria sido comunicada ao Conselho;

13- Em momento algum, até a tarde de 4 de fevereiro de 2011, o CONDEPE foi comunicado que haveria essa mudança de local;

14- As entidades componentes do CONDEPE rejeitam essa decisão unilateral de mudar o local de funcionamento do Conselho. Por ser um órgão de atendimento público, que exige sigilo e discrição de atendimento, o Colegiado de entidades componentes do CONDEPE entende que deveria ter sido consultado e negociada uma estratégia para qualquer tipo de mudança que mude a rotina de atendimento à população;

15- Na tarde desta sexta feira, véspera de um feriado prolongado de carnaval, foi entregue na Sala da Cidadania do CONDEPE um comunicado da secretaria de Justiça e Defesa da Cidadania informando que a transferência será realizada no dia 10 de fevereiro, quinta feira após carnaval. Informa ainda que foi publicado no Diário Oficial do Estado, no dia 22 de fevereiro passado, a indicação do representante do Executivo junto ao CONDEPE;

16- O CONDEPE, seus conselheiros e conselheiras ou mesmo seu Presidente, jamais s e recusou a discutir qualquer assunto com o Poder Executivo. Toas as entidades que compõem o CONDEPE sempre manifestaram desejo de ver resolvidos os problemas e as agressões aos Direitos Humanos em colaboração com quaiquer instâncias do Estado republicano brasileiro e em rígida observância das Leis vigentes.

Ivan Akselrud de Seixas
Presidente
CONDEPE – Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana

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