Mostrando postagens com marcador Direitos humanos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Direitos humanos. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

RIO DE SANGUE


O Coletivo Advogados para a Democracia e Direitos Humanos manifesta profundo repúdio à ação conduzida pela polícia fluminense e pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro no último dia 28 de outubro, chamada "Operação Contenção" ocorrida no complexo da Penha que deixou pelo menos 119 mortos (sendo 115 civis e 4 policiais). Trata-se de mais uma ação marcada por falta de inteligência tática, ausência de protocolo adequado e violação grave dos direitos humanos e da dignidade da pessoa humana.

Como nas ultimas três décadas, a operação resultou em mais uma tragédia e dessa vez a maior da história da cidade. Inúmeros mortos inocentes e policiais, evidenciando erro de comando e irresponsabilidade institucional. Segurança pública não se faz com improviso nem com massacre mas com planejamento, inteligência, estratégia e respeito à vida tendo como objetivo causar o menor número possível de danos colaterais, tudo o que não ocorreu na última terça-feira. 

Exigimos investigação independente, responsabilização dos envolvidos e a revisão imediata das políticas de segurança baseadas na força bruta, na impunidade e na militarização.

Pela vida! Pela democracia! Pela justiça!


COLETIVO ADVOGADOS PARA A DEMOCRACIA E DIREITOS HUMANOS  COADE.

São Paulo, 30 de novembro de 2025.

domingo, 11 de setembro de 2016

HÁ 43 ANOS, ALLENDE E A DEMOCRACIA CHILENA ERAM ASSASSINADOS


Os leitores que acompanham este blog sabem que busco relembrar datas históricas que marcaram a humanidade e, em especial, a América Latina. Hoje volto a fazer isso.

Nunca é de mais conhecermos o passado. É através dele que enxergamos o presente e vislumbrarmos o futuro. Só assim será possível identificarmos humanistas e terroristas.

Há exatos 43 anos, ocorria um golpe militar no Chile.

A mando do governo terrorista norte-americano, o assassino general Pinochet e seus, covardes e traidores, comandados derrubaram o governo de Salvador Allende Gossens, legitimamente eleito pelo povo e assassinaram o presidente chileno ao bombardearem o palácio presidencial.

A partir deste momento foi implantada uma ditadura militar sanguinária sendo uma das piores existentes naquele período na América do Sul.

Confira abaixo a transcrição do discurso de Allende à nação no dia do golpe (ouça Allende na íntegra).

Seguramente, esta será a última oportunidade em que poderei dirigir-me a vocês. A Força Aérea bombardeou as antenas da Rádio Magallanes. Minhas palavras não têm amargura, mas decepção. Que sejam elas um castigo moral para quem traiu seu juramento: soldados do Chile, comandantes-em-chefe titulares, o almirante Merino, que se autodesignou comandante da Armada, e o senhor Mendoza, general rastejante que ainda ontem manifestara sua fidelidade e lealdade ao Governo, e que também se autodenominou diretor geral dos carabineros.

Diante destes fatos só me cabe dizer aos trabalhadores:

Não vou renunciar!

Colocado numa encruzilhada histórica, pagarei com minha vida a lealdade ao povo. E lhes digo que tenho a certeza de que a semente que entregamos à consciência digna de milhares e milhares de chilenos, não poderá ser ceifada definitivamente. [Eles] têm a força, poderão nos avassalar, mas não se detém os processos sociais nem com o crime nem com a força. A história é nossa e a fazem os povos.

Trabalhadores de minha Pátria: quero agradecer-lhes a lealdade que sempre tiveram, a confiança que depositaram em um homem que foi apenas intérprete de grandes anseios de justiça, que empenhou sua palavra em que respeitaria a Constituição e a lei, e assim o fez.

Neste momento definitivo, o último em que eu poderei dirigir-me a vocês, quero que aproveitem a lição: o capital estrangeiro, o imperialismo, unidos à reação criaram o clima para que as Forças Armadas rompessem sua tradição, que lhes ensinara o general Schneider e reafirmara o comandante Araya, vítimas do mesmo setor social que hoje estará esperando com as mãos livres, reconquistar o poder para seguir defendendo seus lucros e seus privilégios.

Dirijo-me a vocês, sobretudo à mulher simples de nossa terra, à camponesa que nos acreditou, à mãe que soube de nossa preocupação com as crianças.

Dirijo-me aos profissionais da Pátria, aos profissionais patriotas que continuaram trabalhando contra a sedição auspiciada pelas associações profissionais, associações classistas que também defenderam os lucros de uma sociedade capitalista.

Dirijo-me à juventude, àqueles que cantaram e deram sua alegria e seu espírito de luta.

Dirijo-me ao homem do Chile, ao operário, ao camponês, ao intelectual, àqueles que serão perseguidos, porque em nosso país o fascismo está há tempos presente; nos atentados terroristas, explodindo as pontes, cortando as vias férreas, destruindo os oleodutos e os gasodutos, frente ao silêncio daqueles que tinham a obrigação de agir. Estavam comprometidos. A historia os julgará.

Seguramente a Rádio Magallanes será calada e o metal tranqüilo de minha voz não chegará mais a vocês. Não importa. Vocês continuarão a ouvi-la. Sempre estarei junto a vocês. Pelo menos minha lembrança será a de um homem digno que foi leal à Pátria. O povo deve defender-se, mas não se sacrificar. O povo não deve se deixar arrasar nem tranqüilizar, mas tampouco pode humilhar-se.

Trabalhadores de minha Pátria, tenho fé no Chile e seu destino.

Superarão outros homens este momento cinzento e amargo em que a traição pretende impor-se.

Saibam que, antes do que se pensa, de novo se abrirão as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

Viva o Chile!

Viva o povo!

Viva os trabalhadores!

Estas são minhas últimas palavras e tenho a certeza de que meu sacrifício não será em vão. Tenho a certeza de que, pelo menos, será uma lição moral que castigará a perfídia, a covardia e a traição.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

O CONSELHO É PARTICIPATIVO. CIDADÃO(Ã), FAÇA A SUA PARTE!


Na quinta-feira(04/02), ocorreu a primeira reunião do Conselho Participativo da Cidade de São Paulo da Subprefeitura de Pinheiros.

A pauta era a transição do último Conselho para o novo formado por eleitos(as) no dia 06 de dezembro de 2015 onde este blogueiro foi um dos escolhidos por cidadãos e cidadãs, mas devido às inúmeras demandas urgentes da cidade, especialmente, no tocante aos Direitos Humanos e à dignidade da pessoa humana levantei questões referentes a estes temas e descobri que não existe um Grupo de Trabalho sobre os mesmos. 

O fato me deixou surpreso porque mesmo a cidade tendo inúmeras outras demandas, e o próprio Conselho internamente também precisa ser aprimorado em vários pontos, é inadmissível não existir um GT de Direitos Humanos. De imediato sugeri a criação do mesmo bem como alterações importantes no regimento interno do Conselho que sob a minha ótica engessa as nossas atuações.

Portanto, a priori, tenho essas duas metas e espero contar com o apoio dos munícipes lembrando que as audiências são abertas e os paulistanos e paulistanas precisam participar das mesmas para que possamos efetivamente passar a ter uma relação de pertencimento com o cotidiano da cidade apresentando problemas e sugerindo soluções ao Conselho.

Para tanto deixo o e-mail (rscvr@uol.com.br) para que seja possível mantermos contato direto nesse sentido. Todos serão lidos, encaminhados e respondidos acerca do solicitado.

Unidos avançamos, separados retrocedemos.

A democracia paulistana agradece.

Participe!    


quarta-feira, 22 de abril de 2015

II ENCONTRO ESTADUAL DE BLOGUEIROS E ATIVISTAS DIGITAIS DE SÃO PAULO


TEMA: A COMUNICAÇÃO COMO DIREITO HUMANO

24/04 – ABERTURA

18:30h – Credenciamento
19h – Mesa de abertura

  • Altamiro Borges – Presidente do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé
  • Aparecido Araujo – Comissão Nacional de Blogueiros e Ativistas Digitais
  • Izabel Heitor – Comissão organizadora do 2BlogProgSP
  • Emiliano José – Secretário de Serviços de Comunicação Eletrônica do Ministério das Comunicações
  • Simão Pedro – Secretário Municipal de Serviços da Prefeitura de SP
20h – Coffee Break e atividade cultural com Marcelo Monteia.

25/04 – DEBATES E DESCONFERÊNCIAS

9h – Democratização da Comunicação Social, seus impactos e sua importância para a democracia

  • Guilherme Boulos – coordenador nacional do MTST
  • Laura Capriglione – Jornalistas Livres
  • Laurindo Leal Lalo Filho – Sociólogo, jornalista e professor de jornalismo
  • Mediadora: Conceição Oliveira – Blog Maria Frô
10h30 – Mesa: Marco Civil da Internet: regulamentação e desafios

  • Renata Mielli – Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé
  • Veridiana Alimonti – Intervozes
  • Ronaldo Matos – Blog Desenrola e Não Me Enrola
  • Mediador: Eduardo Guimarães – Blog da Cidadania
13h – ALMOÇO

14h – Desconferências – Tema: Direitos Humanos no Brasil
(serão realizadas simultaneamente)

1ª: A periferia e o jornalismo comunitário

  • Aline e Thiago – Periferia em Movimento
  • Thais – Desenrola e Não Me Enrola
  • Paulo Ferraz Simões – Rádio Comunitária Itaquera
  • Mediador: Renato Rovai – Revista Forum
2ª: Mídia e minorias: questões de gênero e racismo

  • Márcia Cabral – ativista do Movimento Negro e LGBT
  • Rachel Moreno – Psicóloga e pesquisadora
  • Dennis de Oliveira - Quilombação
  • Mediadora: Preta Rara – Nação Hip Hop
3ª: Mídia e a violência de Estado

  • André Caramante – Reporter investigativo, atua com ênfase nas áreas de segurança pública e direitos humanos.
  • Marcio Sotelo Felippe – Jurista
  • Adriano Diogo – Comissão Estadual da Verdade da Democracia "Mães de Maio"
  • Mediadora: Lira Alli - Levante Popular da Juventude
15h30 – Fechamento das desconferências

15h45 – Mesa final: Mídia e conjuntura

  • Rodrigo Vianna – Blog Escrevinhador
  • Luís Nassif – Portal GGN
  • Palmério Dória – Jornalista e escritor
  • Mediadora: Conceição Lemes – Blog da Saúde (Viomundo)
18h – ENCERRAMENTO 


*sujeita a alterações

Local
Sindsep – Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias do Município de São Paulo.
Rua Barão de Itapetininga, 163 – 2º andar
Centro de São Paulo.


INSCRIÇÕES

Estão abertas as inscrições para o II Encontro Estadual de Blogueiros e Ativistas Digitais de SP

Tema: A Comunicação como Direito Humano.
Debates: Democratização da Comunicação, Regulamentação do Marco Civil da Internet, Direitos Humanos no Brasil.


Data: 24 e 25 de abril de 2015.

Horário:

• dia 24 (sexta-feira), das 18h30 às 22h: recepção, abertura e atividade cultural.
• dia 25 (sábado), das 8h30 às 18h: mesas de debates e desconferências. 


Local: 

Sindsep – Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias do Município de São Paulo.
Rua Barão de Itapetininga, 163 – 2º andar
Centro de São Paulo.

ANTES DE PREENCHER A FICHA DE INSCRIÇÃO, LEIA AS ORIENTAÇÕES ABAIXO:


Valor das inscrições: (inclui almoço e kit de materiais)

R$ 20,00 - público em geral
R$ 10,00 - estudantes

Banco do Brasil
Ag. 4300-1
Conta corrente: 50.141-7
Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé
CNPJ 12.250.292/0001-08

Todos os inscritos deverão encaminhar a confirmação do depósito. No caso de estudantes, encaminhar também comprovante de estudo. Pode ser um print screen da página da faculdade onde consta nome, curso e aparece a data, ou alguma declaração recente da escola.

A inscrição só será efetivada após o envio do comprovante do depósito e de estudo (estudantes).

E-mail para encaminhar os comprovantes: inscricoesblogprogsp@gmail.com

CLIQUE AQUI E FAÇA A SUA INSCRIÇÃO

SIGA O BLOG NO TWITTER

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

PRONUNCIEMOS DIREITOS HUMANOS



"Existir, humanamente, é pronunciar o
mundo, é modificá-lo. O mundo pronunciado,
por sua vez, se volta problematizado
aos sujeitos pronunciantes, a exigir
deles novo pronunciar."

Paulo Freire

            SIGA O BLOG NO TWITTER

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

RELATÓRIO DA COMISSÃO DA VERDADE PRECISA SER APENAS O COMEÇO


A Comissão Nacional da Verdade entregou na última quarta-feira (10/12, dia internacional dos Direitos Humanos) o seu relatório final em cerimônia oficial no Palácio do Planalto à presidenta Dilma Rousseff. O documento dividido em três volumes, apresenta o resultado de dois anos e sete meses de trabalho da Comissão, criada pela lei 12528/2011.

Em maio de 2012, ela passou a existir com a finalidade de esclarecer as circunstâncias e autoria de graves violações de Direitos Humanos praticadas entre 1946 e 1988 com o objetivo de passar a história do país a limpo. Com a finalização dessa etapa ficou clara a necessidade de responsabilizar as forças armadas pelas atrocidades cometidas durante a ditadura civil-militar iniciada com o golpe de 1964 bem como os setores da sociedade civil que apoiaram o governo militar como os velhos meios de comunicação (PIG) e o empresariado, especialmente, o paulista.

O documento apresenta centenas de nomes de cidadãos mortos e desaparecidos pelo regime de exceção bem como a participação de autoridades nesses casos além de propor medidas institucionais como:
  • 1 - Responsabilização das Forças Armadas."Dado o protagonismo da estrutura militar, a postura de simplesmente 'não negar' a ocorrência desse quadro fático revela-se absolutamente insuficiente";
  • 2 - Fim da prescrição e da anistia dos crimes cometidos.
    "A importância do bem protegido justifica o regime jurídico da imprescritibilidade dos crimes contra a humanidade e da impossibilidade de anistia";
  • 3 - Ressarcimento.
    "Cabe, em relação a esses agentes públicos, a proposição de medidas administrativas e judiciais que objetivem o ressarcimento ao erário público das verbas despendidas";
  • 4 - Proibição de comemoração do golpe de 64
    "Essa realidade torna incompatível com os princípios que regem o Estado democrático de direito a realização de eventos oficiais de celebração do golpe militar, que devem ser, assim, objeto de proibição";
  • 5 - Valorizar direitos humanos na seleção de membros das Forças Armadas.
    "Reformulação dos concursos de ingresso e dos processos de avaliação contínua nas Forças Armadas e na área de segurança pública, de modo a valorizar o conhecimento sobre os preceitos inerentes à democracia e aos direitos humanos";
  • 6 - Mudança nos currículos das academias militares e policiais.
    "Tal recomendação é necessária para que, nos processos de formação e capacitação dos respectivos efetivos, haja o pleno alinhamento das Forças Armadas e das polícias ao Estado democrático de direito, com a supressão das referências à doutrina de segurança nacional";
  • 7 - Retificação de causas de morte.
    No caso de pessoas mortas em decorre?ncia de violac?o?es de direitos humanos, como Vladimir Herzog e Alexandre Vannucchi Leme, a causa de morte no atestado de óbito deve ser retificada "de modo célere";
  • 8 - Exclusão de informações sobre registros de perseguição política.
    As informações que envolvam registros de atos de perseguição política e de condenação na Justiça Militar ocorridos no período de 1946 a 1988 da rede nacional de segurança devem ser excluídas. A CNV propõe também a manutenção de banco de DNA de pessoas mortas sem identificação;
  • 9 - Criar mecanismos de prevenção e combate à tortura.
    "A tortura continua sendo praticada no Brasil, notadamente em instalações policiais. Isso se deve até mesmo ao fato de que sua ocorrência nunca foi eficazmente denunciada e combatida pela administração pública";
  • 10 - Desvincular IMLs e órgãos de perícia criminal das SSPs.
    Os institutos médicos legais e os órgãos de perícia devem ser desvinculados das secretarias de Segurança Pública, para que tenham maior autonomia e qualidade, além da criação de centros avançados de antropologia forense e a realização de perícias que sejam independentes e autônomas;
  • 11 - Fortalecimento das defensorias públicas
    O objetivo é garantir o "exercício pleno do direito de defesa e a prevenção de abusos e violações de direitos fundamentais, especialmente tortura e maus-tratos";
  • 12 - Melhoria do sistema prisional e do tratamento dado aos presos.
    "Os presídios são locais onde a violação múltipla desses direitos ocorre sistematicamente. (...) É necessário abolir, com o reforço de expresso mandamento legal, os procedimentos vexatórios e humilhantes pelos quais passam crianças, idosos, mulheres e homens ao visitarem seus familiares encarcerados";
  • 13 - Instituição legal de ouvidorias externas no sistema penitenciário.
    "Os ouvidores devem ser escolhidos com a participação da sociedade civil, ter independência funcional e contar com as prerrogativas e a estrutura necessárias ao desempenho de suas atribuições";
  • 14 - Fortalecimento de conselhos da comunidade.
    Os conselhos, que foram criados em uma lei de 1984, devem ter a composição definida em processo "público e democrático";
  • 15 - Garantia de atendimento médico e psicossocial a vítimas.
    "As vítimas de graves violações de direitos humanos estão sujeitas a sequelas que demandam atendimento médico e psicossocial contínuo, por meio da rede articulada intersetorialmente e da capacitação dos profissionais de saúde para essa finalidade específica. A administração pública deve garantir a efetividade desse atendimento";
  • 16 - Promoção da democracia e dos direitos humanos na educação.
    "A adoção de medidas e procedimentos para que, na estrutura curricular das escolas públicas e privadas dos graus fundamental, médio e superior, sejam incluídos, nas disciplinas em que couberem, conteúdos que contemplem a história política recente do país e incentivem o respeito à democracia";
  • 17 - Apoio a órgãos de proteção e promoção dos direitos humanos.
    Fomento a órgãos como secretarias de Direitos Humanos nos Estados e municípios, além de "valorização dos órgãos já existentes --o Conselho Nacional dos Direitos Humanos, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos e a Comissão de Anistia".
Além disso, o relatório apresenta propostas de mudanças em leis e de continuidade nas investigações, tais como:
  • 18 - Revogação da Lei de Segurança Nacional.
    "A atual Lei de Segurança Nacional (lei nº 7.170, de 14 de dezembro de 1983) foi adotada ainda na ditadura militar e reflete as concepções doutrinárias que prevaleceram no período de 1964 a 1985";
  • 19 - Tipificar crime contra a humanidade e de desaparecimento forçado.
    "O pronto cumprimento do dever de criar um tipo penal autônomo, que contemple o caráter permanente desse crime, até que se estabeleça o destino ou paradeiro da vítima e se obtenha a certificação sobre sua identidade, é fundamental para a coibição do desaparecimento forçado";
  • 20 - Desmilitarização das polícias militares estaduais.
    "A atribuição de caráter militar às polícias militares estaduais, bem como sua vinculação às Forças Armadas, emanou de legislação da ditadura militar. Essa anomalia vem perdurando, fazendo com que não só não haja a unificação das forças de segurança estaduais, mas que parte delas ainda funcione a partir desses atributos militares";
  • 21 - Extinção da Justiça Militar estadual.
    "A desmilitarização das polícias estaduais deve implicar a completa extinção dos órgãos estaduais da Justiça Militar ainda remanescentes. Reforma constitucional deve ser adotada com essa finalidade";
  • 22 - Exclusão de civis da jurisdição da Justiça Militar federal.
    "A Justiça Militar, cuja existência deve se restringir ao plano federal, deverá ter sua competência fixada exclusivamente para os casos de crimes militares praticados por integrantes das Forças Armadas";
  • 23 - Suprimir, nas leis, referências discriminatórias das homossexualidades.
    Um exemplo é o artigo 235 do Código Penal Militar, de 1969, do qual se deve excluir a referência à homossexualidade no dispositivo que estabelece ser crime "praticar, ou permitir o militar que com ele se pratique ato libidinoso, homossexual ou não, em lugar sujeito a administração militar";
  • 24 - Fim dos autos de resistência à prisão.
    "Recomenda-se alterar a legislação processual penal para que as lesões e mortes decorrentes de operações policiais ou de confronto com a polícia sejam registradas como 'lesão corporal decorrente de intervenção policial' e 'morte decorrente de intervenção policial', substituindo os termos 'autos de resistência' e 'resistência seguida de morte', respectivamente";
  • 25 - Introdução da audiência de custódia.
    A ideia é garantir a apresentação pessoal do preso à autoridade judiciária em até 24 horas após o ato da prisão em flagrante, em consonância com o artigo 7º da Convenção Americana sobre Direitos Humanos;
  • 26 - Criar órgão para dar continuidade ao trabalho da CNV.
    A comissão sugere que tal órgão tenha membros nomeados pela Presidência da República, representativos da sociedade civil, que, com a ajuda de órgãos já existentes, como o CNDH, a CEMDP e a Comissão de Anistia, "deverá dar sequência à atividade desenvolvida pela CNV";
  • 27 - Continuidade da busca de desaparecidos.
    O objetivo é dar prosseguimento das atividades voltadas à localização, identificação e entrega aos familiares ou pessoas legitimadas, para sepultamento digno, dos restos mortais dos desaparecidos políticos;
  • 28 - Preservação da memória das violações.
    A comissão sugere instalar, em Brasília, um Museu da Memória. Também pede que sejam revogadas as medidas que, durante o período da ditadura, homenageavam autores de violações de direitos humanos, como nome de ruas e logradouros;
  • 29 - Continuidade à abertura dos arquivos militares.
    Prosseguimento e fortalecimento da política de localização e abertura dos arquivos da ditadura militar.
Diante do exposto e desse sério e expressivo trabalho realizado pelos membros da Comissão Nacional da Verdade é preciso reiterar a necessidade de punição uma vez que os crimes cometidos são considerados crimes imprescritíveis (contra a humanidade) deixando clara a necessidade de revogação da lei de anistia para que os milicos que hoje estão de pijamas e vivendo muito bem com gordas aposentadorias pagas por nós cidadãos sejam julgados e diante de comprovações de seus atos criminosos condenados.

Para tanto, o Estado brasileiro através do seu poder institucional e a sociedade civil precisam se mobilizar não se acomodando com a tristeza de rever os crimes cometidos apresentados no relatório correndo para chorar na cama que é lugar quente. É preciso que seja feita justiça! Chorar diante das câmeras e afirmar que a Comissão Nacional da Verdade é apenas uma investigação histórica sem caráter punitivo é se omitir diante da gravidade dos fatos ocorridos. É jogar no lixo a história de tantos cidadãos brasileiros que literalmente deram a vida por este país. E pior, é se igualar à indignidade dos milicanalhas. Diante de tais fatos não existem argumentos de garantia de governabilidade possíveis de serem sustentados para que punições deixem de ocorrer.

Ademais é preciso ressaltar que esse relatório é parte de uma ampla investigação da nossa história e que precisa continuar não apenas com as Comissões que existem por diversas cidades e Estados do país bem como as realizadas por organizações da sociedade civil e universidades mas também pela própria Comissão Nacional. O trabalho entregue ontem é apenas o início do processo de limpeza da nossa história.

Tal situação se apresenta importantíssima não apenas para a democracia e a sociedade brasileira mas também para os militares fazendo com que não se generalize a barbárie para todos os que serviram à época o exército, a marinha e a aeronáutica. O golpe e os crimes cometidos nunca foram unanimidade nos quartéis militares Brasil afora.

Chega de paz e amor, é preciso termos vergonha na cara e exigirmos punição a aqueles que não honraram a farda que vestiam para proteger o país agindo de forma contrária entregando aos interesses do Norte o Estado brasileiro retirando da presidência João Goulart legitimamente eleito pela maioria do nosso povo e mergulhando a nossa sociedade na escuridão da indignidade, do desrespeito com o cidadão, da corrupção, da falência da educação, do descaso com a saúde, da censura, da perda das liberdades individuais, da violência, da tortura, do desaparecimento, do estupro, do sequestro e da morte por vinte e um anos.

O respeito a uma nação passa fundamentalmente pela clareza de sua história.

Para avançarmos enquanto país precisamos conhecer o passado, para entendermos o presente e vislumbrarmos o futuro.

A luta pelo resgate da dignidade da história do Brasil continua!

Reacionários e assassinos não passarão!

SIGA O BLOG NO TWITTER

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

CONTINUAMOS NA LUTA SENADOR SUPLICY!


Dos Advogados para a Democracia 

O Coletivo Advogados para a Democracia lamenta a derrota de Eduardo Matarazzo Suplicy, um dos mais importantes representantes do povo paulista da história do Senado Federal, nas eleições ocorridas no último domingo.

Cidadão convicto das necessárias lutas sociais em favor de um país sem desigualdade, soberano e efetivamente democrático, Suplicy deixou de ser reeleito depois de 24 anos de legítima representatividade. Senador da transparência, das ruas com participação direta junto ao povo em defesa da dignidade e dos Direitos Humanos.

Não há luta social na história recente do nosso país sem a presença dele.
 
Ao final da apuração, ainda na noite do último domingo, Suplicy afirmou que mesmo com a derrota "podem continuar me ligando" e é exatamente o que, os grupos organizados da sociedade e cidadãos em geral inconformados com a lógica desumana em que nos encontramos, continuaremos a fazer.

A derrota nas urnas não irá abalar a luta por uma sociedade que acreditamos.

Sigamos! 

SIGA O BLOG NO TWITTER!

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

HÁ 41 ANOS, ALLENDE E A DEMOCRACIA CHILENA ERAM ASSASSINADOS


Os leitores que acompanham este blog sabem que busco relembrar datas históricas que marcaram a humanidade e, em especial, a América Latina. Hoje volto a fazer isso.

Nunca é demais conhecermos o passado. É através dele que enxergamos o presente e vislumbrarmos o futuro. Só assim será possível identificarmos humanistas e terroristas.

Há exatos 41 anos, ocorria um golpe militar no Chile.

A mando do governo terrorista norte-americano, o assassino general Pinochet e seus, covardes e traidores, comandados derrubaram o governo de Salvador Allende Gossens, legitimamente eleito pelo povo e assassinaram o presidente chileno ao bombardearem o palácio presidencial.

A partir deste momento foi implantada uma ditadura militar sanguinária sendo uma das piores existentes naquele período na América do Sul.

Confira abaixo a transcrição do discurso de Allende à nação no dia do golpe (Ouça Allende na íntegra).

Seguramente, esta será a última oportunidade em que poderei dirigir-me a vocês. A Força Aérea bombardeou as antenas da Rádio Magallanes. Minhas palavras não têm amargura, mas decepção. Que sejam elas um castigo moral para quem traiu seu juramento: soldados do Chile, comandantes-em-chefe titulares, o almirante Merino, que se autodesignou comandante da Armada, e o senhor Mendoza, general rastejante que ainda ontem manifestara sua fidelidade e lealdade ao Governo, e que também se autodenominou diretor geral dos carabineros.

Diante destes fatos só me cabe dizer aos trabalhadores:

Não vou renunciar!

Colocado numa encruzilhada histórica, pagarei com minha vida a lealdade ao povo. E lhes digo que tenho a certeza de que a semente que entregamos à consciência digna de milhares e milhares de chilenos, não poderá ser ceifada definitivamente. [Eles] têm a força, poderão nos avassalar, mas não se detém os processos sociais nem com o crime nem com a força. A história é nossa e a fazem os povos.

Trabalhadores de minha Pátria: quero agradecer-lhes a lealdade que sempre tiveram, a confiança que depositaram em um homem que foi apenas intérprete de grandes anseios de justiça, que empenhou sua palavra em que respeitaria a Constituição e a lei, e assim o fez.

Neste momento definitivo, o último em que eu poderei dirigir-me a vocês, quero que aproveitem a lição: o capital estrangeiro, o imperialismo, unidos à reação criaram o clima para que as Forças Armadas rompessem sua tradição, que lhes ensinara o general Schneider e reafirmara o comandante Araya, vítimas do mesmo setor social que hoje estará esperando com as mãos livres, reconquistar o poder para seguir defendendo seus lucros e seus privilégios.

Dirijo-me a vocês, sobretudo à mulher simples de nossa terra, à camponesa que nos acreditou, à mãe que soube de nossa preocupação com as crianças.

Dirijo-me aos profissionais da Pátria, aos profissionais patriotas que continuaram trabalhando contra a sedição auspiciada pelas associações profissionais, associações classistas que também defenderam os lucros de uma sociedade capitalista.

Dirijo-me à juventude, àqueles que cantaram e deram sua alegria e seu espírito de luta.

Dirijo-me ao homem do Chile, ao operário, ao camponês, ao intelectual, àqueles que serão perseguidos, porque em nosso país o fascismo está há tempos presente; nos atentados terroristas, explodindo as pontes, cortando as vias férreas, destruindo os oleodutos e os gasodutos, frente ao silêncio daqueles que tinham a obrigação de agir. Estavam comprometidos. A historia os julgará.

Seguramente a Rádio Magallanes será calada e o metal tranqüilo de minha voz não chegará mais a vocês. Não importa. Vocês continuarão a ouvi-la. Sempre estarei junto a vocês. Pelo menos minha lembrança será a de um homem digno que foi leal à Pátria. O povo deve defender-se, mas não se sacrificar. O povo não deve se deixar arrasar nem tranqüilizar, mas tampouco pode humilhar-se.

Trabalhadores de minha Pátria, tenho fé no Chile e seu destino.

Superarão outros homens este momento cinzento e amargo em que a traição pretende impor-se.

Saibam que, antes do que se pensa, de novo se abrirão as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

Viva o Chile!

Viva o povo!

Viva os trabalhadores!


Estas são minhas últimas palavras e tenho a certeza de que meu sacrifício não será em vão. Tenho a certeza de que, pelo menos, será uma lição moral que castigará a perfídia, a covardia e a traição.


SIGA O BLOG NO TWITTER!

sábado, 28 de junho de 2014

COADE INICIA RESGATE HISTÓRICO COM COMISSÃO DA VERDADE

Do Coletivo Advogados para a Democracia (COADE)

Buscamos passar a limpo a história do nosso país através de investigações sobre esse terrível período.

Divulgamos trabalhos realizados pelos Advogados para a Democracia bem como aqueles realizados pela Comissão Nacional da Verdade e todas as Comissões existentes em cidades e Estados do país.

Sem conhecer o passado não há como entender o presente e projetar o futuro.

Se você possui informações que possam nos auxiliar, entre em contato conosco pelo e-mail coadesp@gmail.com

Participe!


quinta-feira, 12 de junho de 2014

COPA MOINHO VIVO: O PAGODE É NOSSO!

 

Nesta quinta feira, dia de abertura da Copa da FIFA, o Comitê Popular da Copa SP e o Movimento Moinho Vivo convidam todas e todos para uma intervenção lúdica: a Zona Livre e do Povo! A partir das 14h, vamos formar "quadrilha" pra dar um cacete no Ronaldo, tombar a FIFA e suas corporações, dançar pagode e forró, e exibir o jogo do Brasil do nosso jeito! Por outro futebol!

Vai ter: futebol, quadrilha, pagode, trabalhador ambulante, população de rua, moradores de ocupações, respeito às mulheres, brincadeiras pra crianças, debates sobre o direito à cidade: xs de baixo em suas muitas cores e lutas, juntxs e misturadxs!
Não vai ter: zona de exclusão, polícia, patrocinadores, operário morto, remoção forçada, exploração sexual, estádio elitizado, nem grades nem catracas!

VENHA FORMAR QUADRILHA CONOSCO, TRAGA UM PRATO DE DOCE OU SALGADO E VENHA VESTIDO A CARATER =)

A Favela do Moinho, atacada constantemente por policiais, vítima de incêndios criminosos nos últimos anos, resiste há mais de 25 anos como a última favela no centro de SP. É a nossa Palestina, encrustada entre um muro e uma linha de trem, numa zona de exclusão tão bem delimitada quanto às que a Fifa impõe à cidade por conta de sua Copa.

Que discurso sobre um megaevento pode se sustentar quando traz tem em seu projeto, oficialmente, zonas de exclusão?

A Copa da Fifa não é a Copa que queremos. Há 3 anos perguntamos, Copa pra quem? Hoje, a resposta já está mais do que clara. Pra quem luta, pra quem vive a cidade no seu dia-a-dia segregador e violento, pra quem pega metrô e ônibus lotado, pra quem trabalhou na construção das obras - e morreu nisso -, as portas da Fifa estão muito bem fechadas. Lacradas com o selo das três esferas de governo.

Mas não é por isso que não teremos as nossas copas. Neste 11 e 12 de junho, estaremos na Favela do Moinho pra abertura de uma outra copa, de todos e todas, para todos e todas, construída por todos e todas!

A Copa Rebelde do Moinho que se inicia hoje marca mais um momento de encontro entre pessoas que foram ensinadas a passar reto, não olhar no olho e seguir o ritmo de trabalho assassino da cidade, escancarado nas obras da Copa da Fifa.

Convidamos quem luta, quem ficou de fora da Copa deles, quem curte jogar e assistir futebol, a botar a mão na massa pra estar conosco. O futebol - o pagode e a festa junina - são nossos!

SIGA O BLOG NO TWITTER!

quinta-feira, 29 de maio de 2014

CÂMARA APROVA CRIAÇÃO DA COMISSÃO DA VERDADE




Na tarde da última terça-feira (27), a Câmara Municipal de São Paulo aprovou, em primeira votação, a criação da Comissão da Memória e da Verdade da Prefeitura de São Paulo. Com 34 votos favoráveis, duas abstenções e dois contrários (Telhada  do PSDB e Camilo do PSD, ambos ex-coronéis da PM votaram contra).

O projeto de lei, que foi enviado à Câmara pelo prefeito Fernando Haddad (PT), precisa ser novamente apreciado pelos vereadores em plenário.

Ela deve ser instalada dentro da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e o seu objetivo será o de apurar crimes cometidos dentro das dependências da Prefeitura durante a ditadura militar.

Trata-se de uma relevante decisão para os cidadãos paulistanos que poderão, com a efetivação da Comissão, passar a história da sua cidade a limpo.

SIGA O BLOG NO TWITTER!

sexta-feira, 11 de abril de 2014

VIVENDO E APRENDENDO

 
Os(As) leitores(as) que acompanham esse blog perceberam que eu estive ausente ultimamente. Isso ocorreu devido a simples e complexa condição de falta de tempo. Nos últimos meses a agenda se tornou ainda mais corrida devido a minha participação, pela primeira vez, como candidato da chapa de oposição na eleição ao Conselho Deliberativo do São Paulo Futebol Clube.

O processo se encerrou no último sábado tendo como resultado um novo e interessante posicionamento no cenário das relações de poder daquele pequeno universo. A oposição renasceu e junto com ela a efetiva pluralidade de ideias que poderá encaminhar o clube para novas perspectivas e entendimentos no sentido de retomar a dignidade perdida dessa manifestação cultural do povo brasileiro chamada futebol.

Esse período me mostrou que tudo o que ocorreu é o simples reflexo da sociedade. Pude testemunhar que é possível agirmos com ideal e dignidade mas ao mesmo tempo, infelizmente, perceber que a vida em sociedade está absolutamente maculada diante da brutalidade imposta culturalmente pelo individualismo. No momento de decidir em favor do coletivo e em busca do bem comum acaba prevalecendo o interesse pessoal.

Terminada mais essa luta, me sinto revigorado para seguir em tantas outras como a que busca a efetiva democratização dos meios de comunicação (razão pela qual criei o Mídia Caricata) e pela necessária trincheira dos Direitos Humanos enquanto membro da Associação Coletivo Advogados para a Democracia (www.coade.net.br).

Agradeço a todos(as) que, junto comigo, lutaram pelo renascimento da dignidade no Tricolor.

Dessa forma sigo vivendo e aprendendo pelo caminho que acredito e que me apresenta a razão de existir.

Enquanto há resistência, há esperança!

SIGA O BLOG NO TWITTER!